4ª Reunião de Troca de Conhecimentos

Ribeirão Tanquinho Vivo:

Mobilização e Educação Ambiental como instrumentos de gestão ambiental.

 

A convite da Coordenadoria de Mobilização e Educação Ambiental do Projeto Ribeirão Tanquinho Vivo, patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental, o historiador João Carlos Figueroa esteve na quarta Reunião de Troca de Conhecimento (RTC), reunião que ocorre mensalmente com os moradores vizinhos do Ribeirão Tanquinho.  Durante a reunião, João Carlos Figueroa mostrou antigas imagens da cidade e contou a história do desenvolvimento da vida urbana de Botucatu dando especial atenção ao desenvolvimento do bairro do Tanquinho.

 

 O historiador João Carlos Figueiroa. Ao fundo, mapa do centro histórico de Botucatu, de 1890, mostrando que a cidade cresceu ao longo do Ribeirão Lavapés.

 

Segundo o historiador, a cidade de Botucatu se desenvolveu ao longo do Ribeirão Lavapés, onde se concentravam as habitações e as explorações de ordem econômica.

Por volta de 1866 a Igreja Matriz foi transferida da Praça Paratodos para o Oeste da cidade, para o altiplano, onde hoje está a Avenida Dom Lúcio e com ela, outros aparelhamentos urbanos foram edificados nesta localidade como o Cemitério, a Câmara Municipal e a Cadeia que na época, ocupavam o mesmo prédio (onde hoje é o Tênis Clube). Assim, até o final do século, aquela região do Município já contava com importante adensamento urbano abrigando a Igreja Matriz, a Câmara e Cadeia, o enorme Jardim Público entre as ruas Monsenhor Ferrari e Leônidas Cardoso e as casas mais bonitas foram construídas ao longo das ruas Dr. Cardoso de Almeida e Dr.Costa Leite. Em 1897,  foi inaugurado o Grupo Escolar Cardoso de Almeida  e depois dele, dois importantes projetos ligados à igreja ocuparam a rua Dr. Costa Leite: a Santa Casa de Misericórdia (1901) e o Seminário onde hoje é o Colégio La Salle  (1911). Em seguida vieram o Colégio Santa Marcelina (1912) e o Palácio Episcopal (1917) que incentivaram a ocupação do solo do vale do Ribeirão Tanquinho. A mata ciliar do ribeirão foi substituída pelas lavouras de café e eucalipto pois o bispado sobrevivia da comercialização do café.

 

O historiador João Carlos Figueiroa. Ao fundo, prédio do Palácio Episcopal, o vale do Ribeirão Tanquinho e atrás dele, grande área de lavoura de café.

 

Entre as décadas de 60 e 70 apareceram os primeiros loteamentos no vale do Tanquinho, como a Vila dos Médicos e a Vila São Judas o restante do espaço territorial era ainda ocupado por pequenas chácaras, com forte característica de agricultura familiar que  produziam verduras, ovos, galinhas e esses produtos eram comercializados em feiras livres ou de casa em casa.

As ruas que desciam para o Tanquinho, resultantes dos loteamentos, não recebiam pavimentação e na época das chuvas, a água rasgava o solo, formando enormes buracos que viravam voçorocas. A Prefeitura tinha o hábito de despejar lixo e entulho nestas voçorocas até que pudesse colocar guia e sarjeta e depois pavimentar a rua.

Essa prática foi utilizada desde sempre, inclusive para as ruas que conduziam ao Ribeirão Tanquinho. Na chácara do Sr. Capucho, onde hoje encontramos a nascente do Ribeirão Tanquinho, já foi um depósito de lixo, assim como existiam outros depósitos como o da rua Visconde do Rio Branco, descendo para o Ribeirão Lavapés.

 

Entrevistas resgatam histórias do bairro do Tanquinho 

 

Em dezembro de 2007, a Coordenadoria de Caracterização e Relatório Ambiental, o segundo eixo do projeto Ribeirão Tanquinho Vivo, entrevistou renomados historiadores da cidade de Botucatu e  alguns moradores do bairro Tanquinho.

Estas entrevistas têm como objetivo resgatar a história da ocupação do solo do entorno do Ribeirão Tanquinho, saber quem foram seus primeiros moradores e qual o uso e afinidades que estas pessoas tinham com o Ribeirão.

De acordo com o historiador João Carlos Figueroa,  a cidade de Botucatu viveu dois momentos de crescimento. O primeiro foi um ciclo industrial fortíssimo localizado no Ribeirão Lavapés que usava suas águas para força motriz para o beneficiamento do café e outros grãos. Grandes fábricas e sete curtumes se instalaram às margens do Lavapés e nele despejavam seus efluentes. No segundo ciclo, a cidade saiu da estagnação causada pela crise do café e a partir da década de 60, com a instalação da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas, embrião do atual campus da Unesp de Botucatu, é que a cidade retoma seu crescimento econômico e o adensamento urbano se volta para o lado oeste da cidade, entre o espigão das avenidas Santana e Dom Lúcio em direção da avenida Vital Brasil.

A cidade cresceu de Leste para o Oeste. Na imagem ao lado vemos da direita para a esquerda, o Ribeirão Lavapés, o centro da cidade, em seguida a avenida Dom Lúcio, da nascente até a foz do Ribeirão Tanquinho e por fim a avenida Vital Brasil. O loteamento da Vila São Lúcio e Jardim Bom Pastor ocorreram na década de 60 mostrando que a ocupação do vale do Ribeirão Tanquinho é bastante recente.

Av. Vital  Brasil   Tanquinho    Av. Dom Lúcio               Lavapés  

 

Segundo relato do morador Ângelo Albertini, antes dos loteamentos, o vale do Ribeirão Tanquinho foi  ocupado por extensas lavouras de café e plantações de eucalipto. A área  pertencia à Cúria Metropolitana e era conhecida como o eucaliptal do bispo, em seguida foi ocupado por pequenas chácaras como a Chácara Trench e a Chácara do Capucho, local onde nasce o Ribeirão e por fim conheceu a ocupação urbana.

 

Também foi entrevistado o historiador e morador do bairro Tanquinho, Trajano Carlos de Figueiredo Pupo que guarda na memória as paisagens do vale do Ribeirão Tanquinho, suas matas, sua fauna e a água limpa.

 

Ainda serão entrevistadas outras pessoas que moram no bairro para contar suas histórias.  Este memorial  do Ribeirão estará contido no Relatório Ambiental do projeto Ribeirão Tanquinho Vivo.

 

Se você conhece histórias do desenvolvimento do bairro, as famílias que moravam nas chácaras do Tanquinho, entre em contato com a SOS Cuesta de Botucatu e nos conte sua história. Se você tem fotos do Tanquinho, entre em contato com a gente: soscuesta@soscuesta.org.br. Sua colaboração vai enriquecer o Relatório Ambiental do Ribeirão Tanquinho, umas das atividades previstas no Projeto Ribeirão Tanquinho Vivo.

 

Leia o 4º Informativo - dezembro/janeiro, contendo as notícias da 4ª RTC

 

 

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