8ª Reunião de Troca de Conhecimentos

 

Ribeirão Tanquinho Vivo

Mobilização e Educação Ambiental como instrumentos de gestão ambiental.

 

As estações secas do ano estão se aproximando e com elas o período em que ocorrem as queimadas, prática comum no município de Botucatu, utilizadas para promover a limpeza de terrenos tanto na zona rural, quanto na área urbana e concluiu que este tema seria muito oportuno para ser apresentado na 8ª RTC.

Os membros da ONG iniciaram as atividades de recuperação ambiental do Ribeirão Tanquinho em junho de 2001, com o plantio de mudas de árvores nativas nas APPs e em fevereiro de 2002, um grande incêndio na área da nascente prejudicou muito o desenvolvimento do reflorestamento. Após este episódio, a ONG passou a combater a prática das queimadas no Tanquinho, mas achou importante estender suas ações para todo o município, promovendo campanhas educativas de grande repercussão, para modificar essa cultura de usar o fogo na limpeza de terrenos.

Como medidas preventivas contra as queimadas no Tanquinho, a equipe da Manutenção do Reflorestamento conserva os aceiros e trilhas sempre bem capinados e limpos. Outra maneira de se prevenir as queimadas é através da educação ambiental para conscientizar a população dos malefícios que as queimadas causam à saúde e ao meio ambiente. Como conseqüência das campanhas de combate e prevenção contra queimadas rurais e urbanas, da distribuição de cartilhas nas escolas, mobilização e gestão em políticas públicas, os incêndios florestais diminuíram significativamente porém, ainda ocorrem queimadas em terrenos urbanos.

Para entender melhor essa cultura de usar o fogo para limpar terrenos, desde o ano de 2007 a ONG SOS Cuesta co-orienta a monografia do aluno do 5º ano de Biologia, Felipe Vitalino. Este trabalho trata da problemática das queimadas no município de Botucatu e será apresentada ao Departamento de Educação do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista – UNESP – Campus de Botucatu, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Licenciatura em Ciências Biológicas.

A monografia tem como objetivo pesquisar as atividades adotadas pelos diferentes setores da sociedade em relação ao uso do fogo e criar um material didático que possa ser utilizado como ferramenta para a conscientização e educação ambiental nos diferentes setores da população, em relação ao uso do fogo na área urbana.

Para elaborar a monografia, uma pesquisa qualitativa e direta foi realizada através de entrevistas com o 1º, 2º e 3º setor social da população botucatuense.

Nos quatro primeiros quarteirões do Ribeirão Tanquinho, local de abrangência do projeto Ribeirão Tanquinho Vivo, sessenta entrevistas foram realizadas com os moradores ribeirinhos, que responderam ao questionário, aplicado pelos alunos do 5º ano da Biologia Felipe Vitalino, Eduardo Hermógenes Moretti e Laura Furlan, além da estagiária do projeto RTV, Bárbara de Mendonça Heiras. As entrevistas foram realizadas durante dois dias consecutivos e os dados percentuais obtidos com a população ribeirinha foram apresentados na 8ª RTC.

No dia 23 de abril na sede do Lions Clube de Botucatu, o palestrante Felipe Vitalino que iniciou sua apresentação falando da história do aparecimento do fogo, do homem do período neolítico e relaciona as etapas de sua evolução com a descoberta e o domínio do uso do fogo utilizado para iluminar, aquecer, proteger contra animais ferozes e para cozinhar. Nos tempos modernos o fogo passou a ser usado indevidamente, principalmente quando é utilizado para a limpeza de propriedades rurais ou urbanas.

 

 

Felipe (foto) informou aos presentes que o período crítico das queimadas é entre os meses de maio a outubro onde a ocorrência de chuva é pequena, a umidade relativa do ar é baixa e a vegetação encontra-se ressecada, favorecendo a combustão dos materiais encontrados na natureza. Como conseqüências negativas ao meio ambiente, as queimadas constantes provocam o empobrecimento do solo levando a erosão e desertificação; diminuição da biodiversidade dos ecossistemas naturais; colabora com as mudanças climáticas e com o efeito estufa; a fumaça causa poluição do ar e aumento das doenças respiratórias; podem causar acidentes nas estradas.

Informou que o município de Botucatu possui uma lei que proíbe o uso do fogo para promover queimadas principalmente as destinadas ao preparo do solo para plantio, colheita de cana de açúcar, renovação de pastagens, queima de lixo entre outras situações e que o descumprimento da Lei acarreta em multa.

Felipe apresentou os dados percentuais obtidos em entrevista com moradores de 60 residências do entorno do Ribeirão Tanquinho com o objetivo de conhecer a relação existente entre os moradores ribeirinhos, o ribeirão e a prática das queimadas e os entrevistados afirmaram que:

  • consideram que o uso do fogo não é benéfico para a sociedade ( 98%)

  • conhecem os malefícios do uso do fogo para o meio ambiente (97%)

  • acreditam que a população conhece os malefícios das queimadas (57%)

  • não conhecem a legislação referente à proibição da prática das queimadas (97%)

  • não conhecem os órgãos responsáveis pela fiscalização contra as queimadas (81%)

  • conhecem métodos alternativos para substituir o uso do fogo (78%)

Finalizando sua apresentação, Felipe Vitalino frisou que prevenir é a melhor maneira de se evitar as queimadas rurais e urbanas.

Algumas pessoas presentes à 8ª RTC teceram comentários sobre a prática das queimadas e falaram sobre as dificuldades que encontram em acionar os órgãos competentes para que haja combate efetivo nos episódios de queimadas e do importante papel da população em cobrar esses órgãos para que executem suas funções com eficiência.

A questão do uso do fogo ser utilizado antecedendo a colheita da cana de açúcar foi levantada e o Sr. Camillo Fernandes, representante da Usina Açucareira de São Manuel esclareceu que no estado de São Paulo, a queimada que antecede a colheita, será permitida até o ano de  2012 mas para implantação de novos canaviais, a colheita deve ser mecanizada pois a queima não é mais permitida.

O vereador Lelo Pagani, presente na 8ª RTC, parabenizou a realização de mais uma reunião com os moradores e entregou à coordenadora geral do projeto a resposta da Presidência da Câmara Municipal referente ao requerimento, aprovado por unanimidade pelos vereadores, solicitando uma reunião pública na Câmara Municipal para a divulgação do projeto RTV. O Presidente da Câmara Municipal de Botucatu, José Carlos Lourenção, defere à realização da reunião e disponibiliza a estrutura administrativa da casa para divulgar a reunião

A coordenadora geral do projeto Ribeirão Tanquinho Vivo (RTV) expõe aos presentes que uma das finalidades do projeto é conseguir a adesão de parceiros para dar continuidade às ações do projeto, parceiros que financiem as atividades, que ajudem a desenvolver as tarefas, moradores que efetivamente participem projeto.

Cita como exemplo de adesão ao projeto RTV o Botudog Comércio de Rações que financiou os mourões da cerca do mirante da nascente; a Copical tintas que forneceu material para a realização da pintura das pontes das ruas Campos Salles e Prefeito Tonico de Barros  A Galpão Arquitetura e Engenharia também aderiu ao projeto ao idealizar uma proposta arquitetônica de revitalização do Tanquinho e uma proposta de rua ecológica para a rua Palmiro Biazon. A coordenadora geral do projeto informa que o arquiteto Tomaz Lotufo da empresa Galpão apresentou uma proposta alternativa de arruamento para a Palmiro Biazon visando uma drenagem mais efetiva das águas pluviais, melhor permeabilidade do solo evitando enchentes, uma rua mais bonita  e mais agradável aos olhos. Estava presente na reunião do Orçamento Participativo (OP), o Secretário Municipal de Obras e este se prontificou a organizar uma reunião com os moradores da rua Palmiro Biazon, com os coordenadores do projeto RTV e com os arquitetos e engenheiro da Galpão para buscar uma solução conjunta para o arruamento da rua Palmiro Biazon. Finalizando, a coordenadora geral do projeto ressalta a importância da rua Palmiro Biazon como exemplo de gestão compartilhada onde há um conflito entre os interesses ambientais e sociais que vai ser resolvido conjuntamente, com soluções viáveis que resultem na melhoria da qualidade do ambiente ribeirinho.

De acordo com a lista de presença 33 pessoas participaram da 8ª RTC que contou com a presença dos moradores ribeirinhos, com o Pastor Benedito Correia, membros da ONG e estagiárias do projeto RTV, com a Diretora Municipal do Meio Ambiente Fernanda Chinelato, com o jornalista João Bosco, com os Vereadores Lelo Pagani e Antonio Luiz Caldas Junior, com o representante da Usina Açucareira de São Manoel e alunos da UNESP.

 

 

Leia o informativo nº 8 contendo as informações da 8 ªRTC

 

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