Manifesto de pesar pelo incêndio no Morro de Rubião

 

MAIS UMA VEZ. MAIS UM ANO.

O Morro de Rubião Júnior pega fogo mais uma vez. O fogo se alastrou por uma grande área, desde as imediações do Parque das Cascatas até os trilhos da Fepasa, consumindo a mata nativa que tentava se recuperar dos incêndios florestais de anos anteriores. O que restou, certamente é a imagem do inferno.

MAIS UMA VEZ. MAIS UM ANO.

A mata, tão fragilizada, foi novamente consumida pelo fogo. Diversos animais de diferentes espécies foram rapidamente dizimados, envolvidos pela cortina de fumaça. Talvez o fogo tenha sido iniciado por pessoa covarde, sem objetivo algum, pelo simples prazer de provocar as chamas, pelo poder de subjugar a natureza indefesa. Talvez o fogo tenha sido  produzido por pessoa sem escrúpulos, irresponsável, sem consciência ambiental e social, visando interesses econômicos e imobiliários. O fato é que alguém ateou fogo no morro de Rubião Júnior, sabe-se lá qual o motivo.

MAIS UMA VEZ. MAIS UM ANO.

As pessoas passam, olham para o morro e pensam: Olha! Pegou fogo, outra vez. E vão embora, concentradas nos seus afazeres, nos seus problemas, sem se dar conta de que na semana passada o morro estava vivo, verde, respirava, era habitado e hoje está preto, calcinado, sem vida. Será que as pessoas perderam o referencial do que é belo? Será que desconhecem esse patrimônio natural pertencente a todos nós que vivemos nessa cidade e que tínhamos o prazer de passar e usufruir dessa linda paisagem, que agora se reduziu a cinzas?

MAIS UMA VEZ. MAIS UM ANO.

Nos deparamos com o descaso, a imobilidade, a inoperância das autoridades competentes locais. Prova disso é a repetição das ocorrências de incêndios, sempre aos domingos, entre setembro e outubro, nas primeiras horas da manhã. Nossas almas se inquietam, a todo o momento se perguntam: Vai ficar por isso mesmo? Vai começar o jogo de empurra-empurra de responsabilidades e competências entre os órgãos públicos? E os responsáveis, quando serão investigados e punidos? A Constituição Federal será reverenciada, a Lei de Crimes Ambientais será lembrada, o Código Florestal será consultado? O que os proprietários fizeram para proteger aquelas terras? Que atitude tomou o município? Onde está o Comércio que deveria estar de mãos dadas com o Turismo cuidando do Morro dia e noite? Onde está a Igreja, a Escola, que se afastam da responsabilidade de ensinar que atear fogo em florestas é Crime? Onde estão todos? Quem se levantará para proteger o nosso tão arrasado patrimônio natural?

MAIS UMA VEZ.

Perdemos aos poucos o patrimônio que traria divisas ao município, traria renda, empregos e nos lançaria como referência no Estado como conservacionistas de uma região que ainda possui áreas conservadas de Mata Atlântica e de Cerrado. Perdemos o referencial do direito coletivo, da qualidade de vida, da cidadania, do belo, da capacidade de usar a natureza sem prejudicá-la.

Todos nós somos responsáveis  pelo que acontece ao nosso redor.        Todas as nossas ações geram reações às vezes muito nocivas.

O fogo que atinge o Morro de Rubião todos os anos é a representação do mal que todos nós cidadãos temos feito para nós mesmos, para nossas crianças, para nossos idosos, para nossas águas, florestas, rios, quando nos omitimos, quando banalizamos, quando damos de ombros e viramos as costas, quando empurramos com a barriga.

É hora de refletir e decidir em que tipo de ambiente nós queremos viver, que tipo de pessoas queremos ser e que tipo de herança queremos deixar para as próximas gerações.

 

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