Praça Natural do Bairro

 

 "Recanto Azul"

 

A Mata do bairro Recanto Azul, com uma área da ordem de 19.000 m2, faz divisa com a movimentada rodovia Marechal Rondon ao oeste e  é delimitada pela Rua da Alegria ao norte. O término das ruas Francisco Caricati, da Harmonia e Joaquim Marins delimitam a área da mata ao leste e ao sul, conforme detalhado na Figura 01.

Figura 01: Mapa mostrando o bairro Recanto Azul e no detalhe, a mata foco deste projeto.

 

A floresta original do bairro Recanto Azul é  do tipo estacional semidecidual, ou seja, em determinada época do ano parte de suas folhas caem, sendo considerado por muitos autores como o tipo de vegetação mais ameaçado do Brasil.

Originalmente, a floresta estacional semidecidual ocupava grande parte do interior do estado de São Paulo, mas devido ao desmatamento desmedido e ao crescimento desordenado das cidades, restam poucos e isolados fragmentos.

Torna-se fundamental proteger as “ilhas” florestais que sobraram, mesmo aquelas de pequenas proporções, como é o caso da mata do bairro Recanto Azul. Se nenhuma ação for tomada, envolvendo o poder público e população, esta poderá ser mais uma área natural que as futuras gerações não presenciarão.

A avifauna e a mastofauna são comumente utilizadas como bio-indicadores ambientais para a caracterização e avaliação de ambientes naturais e/ou urbanizados.

A flora e a fauna estão intimamente ligadas. A fauna exerce o papel de dispersor de sementes e de agente polinizador, fundamental para a sobrevivência e diversidade vegetal a médio e longo prazos e, a flora, além de refúgio, funciona como uma “maternidade” na construção de ninhos e “refeitório” na oferta de alimentos.

Graças a esta relação de dependência e cooperação entre fauna/flora, pode-se fazer uma descrição da qualidade ambiental levando-se em consideração a espécie animal presente em determinado ambiente e sua biologia.

Baseado nestes pressupostos procurou-se avaliar a qualidade ambiental da mata do bairro Recanto Azul utilizando-se a avifauna como bio-indicador.

Para isso foi realizado um levantamento faunístico prévio, cujo resultado é apresentado na Tabela 01:

Nome Vulgar

Nome Científico

Família

Tiziu

Volatinia jacarina

Emberizidae: Emberizinae

Tico-tico

Zonotrichia capenis

Emberizidae: Emberizinae

Coleirinha

Sporophila caerulescens

Emberizidae: Emberizinae

Sanhaço

Thraupis sayaca

Emberizidae: Thraupinae

Saí-andorinha

Tersina viridis

Emberizidae: Tersininae

Bem-te-vi

Pitangus sulphuratus

Tyrannidae: Tiranninae

Bem-te-vi-rajado

Myiodynastes maculatus

Tyrannidae: Tiranninae

Urubu-preto

Coragyps atratus

Catrartidae

Tabela 01: Relação das espécies encontradas na mata do bairro Recanto Azul e em seu entorno

 

Ao todo, foram encontradas 23 espécies presentes em 15 famílias distintas. Nota-se que praticamente todas as espécies levantadas são pouco exigentes em relação ao hábito alimentar e habitat, sendo encontradas em áreas abertas, como campos e jardins.

O cambacica (Coereba flaveola), o saí-andorinha (Tersina viridis), o chopim (Molothrus bonariensis) e o anu-preto (Crotophaga ani) são muitas vezes encontrados em parques urbanos e já se adaptaram à presença humana.

Aves como o sanhaço (Thraupis sayaca), o sabiá-póca (Turdus amaurochalinus), o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) e o sabiá-do-campo (Mimus saturninus) já estão bem acostumados à vida nas cidades e podem ser facilmente vistos em centros urbanos.

A exceção foi o bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus) que tem o hábito de vida um pouco mais exigente, sendo vistos em áreas florestais e de cerrado, alimentando-se de insetos e frutos.

Dentre as aves levantadas praticamente todas foram visualizadas na borda da mata ou em seu entorno, onde se verificou uma maior disponibilidade de árvores frutíferas e flores, quando comparado ao interior da área florestal.

Em relação a mastofauna, foram encontrados vestígios de uma única família, os dasipodídeos (tatus). Isso vem reforçar a idéia de um ambiente florestal pobre em espécies animais e, conseqüentemente, em espécies vegetais.

Desta forma, podemos concluir, pelo levantamento prévio, que a mata do bairro Recanto Azul necessita ser recuperada e enriquecida com árvores frutíferas para atração e manutenção de outras espécies vindas de áreas vizinhas, aumentando, assim, a diversidade faunística na região e criando condições naturais para a manutenção deste importante fragmento florestal.

Um fator a considerar quanto ao manejo futuro da área é em relação à manutenção de algumas árvores secas. Elas poderão servir, futuramente, de abrigo e suporte para construção de ninhos, principalmente de pica-paus, grupo pouco encontrado na área.

Por ser um estudo prévio, este trabalho deverá ser complementado futuramente através de novos levantamentos e utilizando índices estatísticos, como os de diversidade e abundância de espécies, trazendo dados quantitativos e que facilitarão novas análises.

A proposta para a vegetação, localizada no bairro Recanto Azul, tem como objetivo principal sua preservação e  reflorestamento. Desta forma, oferecendo  condições para que as espécies existentes possam continuar nesta área e que  outras espécies possam retornar e utilizá-la como seu habitat.

Essa área futuramente pode  transformar-se em um local que servirá como um “banco de sementes”, para que outras áreas de nossa cidade possam ser reflorestadas adequadamente. O projeto propõe a abertura de uma trilha que será usada não só pelos moradores do bairro, mas para toda a população que  quiser visitar uma nova proposta de praça municipal.

Será elaborado um material de educação ambiental da área, contendo a descrição das espécies  de fauna e flora. A trilha será toda sinalizada com placas marcando a metragem percorrida e contará com placas indicativas das espécies vegetais existentes.

A construção de um local onde todos possam ter momentos de lazer, com segurança e dentro do conceito de manejo sustentável, almejando a sustentabilidade ambiental e social, visando a preservação das espécies de fauna e flora e também incentivando uma melhor qualidade vida, as vezes tão distante de nós e dependente exclusivamente da nossa vontade.

Um local de educação ambiental onde se aprende na prática, vivenciando as experiências dos livros de biologia, botânica e ecologia, não é um sonho, é uma realidade a ser construída.       

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