Caracterização do Meio Biótico

Flora

 

As atividades da Coordenadoria da Caracterização do Meio Biótico – Flora,  iniciaram com a seleção da estagiária, Laila Brito, aluna da graduação do curso de Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP de Botucatu. Esta equipe é coordenada pela Engenheira Florestal Letícia Esvícero e composta pela Engenheira Florestal Glaucia Uesugi e o auxiliar de campo Dicão.

Esta coordenadoria realizará a caracterização dos fragmentos florestais da microbacia e  a identificação e catálogo das espécies florestais.

 

Remanescente florestal com excelente status de conservação no Sítio Capão Bonito de Baixo

 

As atividades da Caracterização do Meio Biótico Flora foram realizadas no Morro do Santo Antônio, no bairro Santo Antônio da Cascatinha, Sub Distrito de Rubião Júnior, por ser o maior dos fragmentos florestais da microbacia do Córrego da Cascata, atendendo uma demanda da metodologia.

Nesse local foram instaladas sub parcelas prévias com o objetivo de se obter dados para definir o tamanho mínimo para as parcelas de levantamento fitossociológico a serem instaladas nos fragmentos florestais do Projeto Córrego da Cascata.

A seta branca indica a área onde foram inseridas as sub parcelas de estudo. Foram demarcadas duas árvores como ponto de referência conhecidas como Araçarana e Jequitibá

Os métodos utilizados para obtenção de dados para o estudo fitossociológico foram o método de parcelas e o método dos quadrantes. O método dos quadrantes é bastante indicado para áreas de declividade acentuada e para levantamentos rápidos.
O método de parcelas foi escolhido devido ao fato de levantar um número um pouco maior de espécies arbóreas totais apesar de ser um pouco mais trabalhoso.

Cada espécie florestal apresenta um padrão de distribuição espacial característico. Algumas espécies apresentam distribuição espacial agregada e outras são distribuídas de forma mais aleatória.

Montagem da suta

Medindo altura da árvore com o clinômetro

Identificação e coleta de espécies para o herbário

Foi necessário realizar um pré-levantamento pra definir o tamanho ideal da parcela que será utilizada em todo o trabalho.  Os dados numéricos coletados serão utilizados para o cálculo do Desvio Padrão e da Variância do número de espécies em cada grupo de sub parcelas aditivas. O valor de parcela aditiva é correspondente à maior variância entre todas as espécies e será utilizada como metragem para as parcelas definitivas. De acordo com a metodologia foram amostradas 60 sub parcelas e após análise dos dados, conclui-se que o tamanho ideal da parcela é de 1250 m2. 
 

A linha vermelha indica o limite do efeito de borda e os quadrados azuis são as parcelas


Para compor o herbário foram coletadas 37 amostras. As amostras recebem uma identificação no campo além de serem anotadas as características físicas como casca interna, cheiro, presença de leiva ou látex, cor e aspecto da casca externa, forma do tronco, enfim são dados que auxiliam na identificação e tem que ser coletados a campo no momento da coleta da amostra. Depois as amostras são acondicionadas em sacos pretos e no laboratório são prensadas e colocadas na estufa por aproximadamente 6 dias.

Até o mês de outubro de 2011 foram marcados 983 indivíduos. A equipe cadastrou a altura e DAP das árvores e as plantas que foram coletadas amostras para herborização tiveram seus lugares marcados pelo GPS.

Entre as espécie cadastradas está um jequitibá-branco, árvore símbolo do município de Botucatu, com 72 cm de diâmetro e 25 metros de altura, a maior árvore encontrada até esse momento.

 As parcelas que se encontram bem no topo do morro apresentam um declínio no número de indivíduos com relação às parcelas anteriores, porém ocorreu o predomínio da espécie Copaíba (Copaifera langsdorffii).

 

 

No quarto trimestre foram instaladas as últimas parcelas do procedimento conhecido como “Método das Parcelas Permanentes” conforme metodologia descrita no primeiro relatório de trabalho. Foram amostradas as áreas do Residencial Parque das Cascatas (P-13) e do Rancho Carolina (P-14) localizadas no Setor C.  No caso da parcela número 12, consideramos as plantas que compõem as sub-parcelas que levantamos no início do trabalho, na área do beneficiário Fernando Sartor (Setor A). Nos demais setores o “Método das Parcelas Permanentes” não será alocado devido à presença do efeito de borda em toda a sua extensão.

Segundo o pesquisador Galetti, em matéria publicada na Revista FAPESP Online, o efeito de borda é observado quando a mata é fragmentada, suas bordas recebem muito mais vento e insolação comparando-se ao seu interior, o que diminui muito a umidade, entre outros impactos. Isso facilita a invasão de espécies exóticas na mata.

O capim, por exemplo, não ocorre dentro da mata preservada, onde não tem como competir pela luz. O capim que invade a borda, contudo, impede a regeneração da mata nesse local. E o ciclo prossegue: quanto mais luz na borda, menos umidade, mais invasão do capim ou de outras espécies exóticas. Esse processo de estrangulamento da mata original pode levar muitos fragmentos florestais a desaparecer em menos de cem anos.

Para o levantamento fitossociológico os dados nessas condições seriam errôneos, ou seja, não representaria a realidade da vegetação no interior do fragmento, por isso optou-se por aplicar o “Método das Parcelas” em fragmentos maiores.

Já a “Metodologia dos quadrantes” será utilizada para avaliar as condições das áreas de preservação permanente.

Nas áreas estudadas encontramos muitos indivíduos da espécie Eucalyptus robusta, sendo que um deles, localizado no Parque das Cascatas, apresentou 130 centímetros de diâmetro a altura do peito (DAP) e 24 metros de altura.

Eucalipto registrado na mata do Parque das Cascatas

No que tange a diversidade de espécies não houve espécies novas significativas. As espécies predominantes na área foram: Capixingui (Crotonfloribundus) e Lagarteiro (Caseariasylvestris).

            Segundo Lorenzi o capixingui ocorre em matas secundárias da floresta semidecídua podendo surgir no interior de mata primária que sofreu interferência do homem durante a extração de madeira. Já o Lagarteiro ocorre em matas secundárias com grande frequência.

Metodologia dos Pontos Quadrantes

As parcelas permanentes foram instaladas em áreas que consideravam um efeito de borda de 50 m para dentro de cada fragmento. Como os cursos d’água coincidiam em sua maioria com as linhas de fronteira entre as áreas vegetadas e não vegetadas, as áreas de preservação permanente acabaram não sendo amostradas pelo método de parcelas permanentes. Tendo como objetivo realizar o levantamento da composição florística e fitossociológica destas áreas, optou-se por utilizar o “Método de Pontos Quadrantes”.

            O método foi escolhido por ser mais adequado ao levantamento de áreas com formato maior em comprimento e menor em largura, típico de áreas de preservação permanente.

            A distância entre pontos foi determinada a partir das medições das 30 árvores mais próximas em um trecho do fragmento em estudo. A distância entre pontos é o dobro da maior distância medida entre árvores próximas. A distância entre pontos obtida foi de 12 metros. A linha de caminhamento está inserida dentro de uma faixa de 15 metros de largura a partir do curso d’água, ficando 7,5 metros para cada lado. Os pontos foram demarcados pelo software e transferidos para o GPS.

Amora do mato registrada na mata do sítio Capão Bonito de Baixo

 

Herbário

No mês de janeiro a equipe iniciou o procedimento de descontaminação das 63 espécies catalogadas.

A etapa de descontaminação consiste em colocar o material botânico acondicionado em sacos plásticos, em freezer à temperatura de 18° C negativo em intervalos que podem variar entre 4 dias até 2 ou 3 semanas. As amostras foram colocadas no freezer do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal do Departamento de Recursos Naturais – Ciências Florestais – FCA/UNESP.

Após o período de descontaminação, as plantas serão novamente colocadas na estufa para secagem.

 

 

No início de 2012 o trabalho da Coordenadoria da Caracterização do Meio Biótico Flora concentrou-se em concluir a metodologia dos quadrantes no setor A (Morro de Rubião Junior), setor B (Estância Rafael) e Setor C (Parque das Cascatas) bem como realizar o levantamento por caminhamento no Setor B (Residencial Terras Altas) e Setor D (Recanto Azul). Como exemplificado no relatório do quarto trimestre, a metodologia dos quadrantes visa mapear a vegetação que se encontra nas áreas de preservação permanente da área de estudo e avaliar a qualidade da mesma.

            No Morro de Rubião Jr. foram levantados os últimos pontos da metodologia dos quadrantes. Nessa área foi encontrado um exemplar da espécie conhecida popularmente por Corticeira-da-serra que se destacou devido ao seu DAP de 128 cm.

            Na Estância Rafael, destacamos a presença de uma cachoeira de beleza significativa além de uma figueira gigantesca. Encontramos também lírios-do-brejo em flor bem como a presença de uma cobra peçonhenta conhecida por jararaca. No parque das Cascatas o que chamou a atenção foi à presença de uma paineira-rosa de aproximadamente 5 metros de circunferência, uma cachoeira lindíssima ao final da trilha, e também reboleiras de cedro-rosa.

            Nas áreas denominadas Recanto Azul e Residencial Terras Altas foi feito o levantamento por caminhamento, pois são áreas muito pequenas e as metodologias empregadas nas demais áreas não se aplicam para esses locais específicos.

Com o término da execução das metodologias descritas a parte destinada a coleta de dados se encerra dando início a segunda etapa do trabalho que é análise dos dados com o auxílio do software denominado Matas Nativas.

 

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