Imagem 1: Microbacia do Córrego da Cascata dividida em setores e com as 13 nascentes.

O número 14 identifica a foz.

Caracterização do Meio Físico

A equipe técnica deste núcleo do projeto é composta pelo Coordenador, o Engenheiro Agrônomo Marcio Piedade Vieira; pelas estagiárias Ligia Linardi e Rafaela Paes de Almeida, do curso de Ciências Biológicas da UNESP e o estagiário Luca Toledo, do curso de Gestão em Agronegócio da FATEC, Faculdade Tecnológica do Botucatu.

Semanalmente a equipe vai a campo para caracterizar as condições ambientais do Córrego da Cascata e analisar a pressão antrópica sobre a microbacia, a fim de promover um levantamento e mapeamento dos fatores de degradação, visando à adoção de medidas especiais de reversão, proteção e conservação.

No mês de março foi realizado um levantamento expedito para que os estagiários tivessem um primeiro contato com a área estudada, dividida em 4 setores, conforme o mapa acima.

A primeira área percorrida foi a rodovia Domingos Sartor com aproximadamente 4,5 km de extensão. Durante o percurso foi observada a presença de 7 pontos de deslizamento nos cortes de aterro da rodovia devido às fortes chuvas do verão.

Desmoronamento em corte de aterro desprovido de vegetação, solo arenoso.

Desmoronamento de encosta com vegetação arbórea, solo arenoso e com pedras.

Proteção com plásticos em corte de aterro desprovido de vegetação, solo arenoso.

Próximo ao residencial Parque das Cascatas foi observado um afloramento de rocha no corte do aterro do acostamento, com água de drenagem do lençol freático que, há poucos metros a diante, mina no asfalto da rodovia.

Afloramento de rocha com a presença de água

Afloramento de água no asfalto.

 

Da rodovia é possível avistar o represamento do Córrego situado no residencial Parque das Cascatas que se encontra assoreado.

                   Assoreamento do represamento do Córrego da Cascata, localizado no Residencial

                                                                                     Parque das Cascatas

 

Uma das ações para caracterizar as condições ambientais do Córrego da Cascata é realização da análise da água.

A equipe entrou em contato com o CEAQUIM - Centro de Apoio Químico ao Ensino, à Pesquisa e de Prestação de Serviços, ligado ao Departamento de Química da UNESP/Botucatu, e com o docente José Pedro Serra Valente, da Comissão Técnica Diretora do CEAQUIM para conhecer o laboratório e a metodologia adequada para coleta e análise de água.

O Assistente Acadêmico do Departamento de Química, Ivalde Belluta, apresentou o laboratório e orientou os estagiários como devem ser realizadas as coletas, os materiais utilizados e os cuidados para não haver contaminação da água coletada. Orientou sobre os índices de qualidade da água bem como seus efeitos ao ambiente.
As análises físico-químicas da água serão realizadas no CEAQUIM e a parte biológica será realizada no Departamento de Microbiologia.

A equipe está trabalhando em seis pontos de coleta, identificados no mapa pelas setas amarelas. A seta vermelha indica uma estação elevatória de esgoto da SABESP dentro da propriedade de um dos beneficiários do projeto. A coleta de água do Setor A foi transferida pra um ponto abaixo desta estação para monitoramento de possíveis vazamentos.

 Imagem 2: Setas amarelas indicam os atuais pontos de coleta. Seta vermelha indica a localização da estação elevatória de esgoto. X em vermelho os antigos pontos escolhidos inicialmente pelo projeto.

Os dois primeiros pontos do Setor C mudaram estrategicamente de local apenas para facilitar o acesso até a beirada do Córrego da Cascata, e o terceiro ponto do setor foi mantido.

Foram acrescentados 2 pontos de coleta no Córrego Água Fria onde o Córrego Cascata vai desaguar, sendo um ponto antes da foz e um após o encontro. Estes pontos foram escolhidos para comparar a qualidade das águas dos 2 rios, uma vez que o Córrego da Água Fria apresenta sinais visíveis de degradação.

 Ponto 1 - Sitio Capão Bonito de Baixo de propriedade do beneficiário Fernando Sartor. Coleta abaixo da estação elevatória de esgoto da SABESP

Ponto 2 - Parque das Cascatas a jusante do lago. Este ponto foi escolhido para identificar possíveis contaminações do adensamento de casas do Parque das Cascatas.

Ponto 3 - Spazio Verde a montante do lago, para avaliar o efeito de outras nascentes que se unem nesta região vindo dos dois lados do rio.

Ponto 4 - Recanto Azul, logo após a rotatória da rua de acesso ao bairro.

Ponto 5 e 6 - Córrego Água Fria.
 

Coleta de água no Córrego Água Fria Bairro Recanto Azul


A equipe técnica da Caracterização do Meio Físico realizará 46 visitas a campo  para caracterizar, georreferenciar e fotografar os aspectos físicos da microbacia:

Nos meses de maio, junho e julho, boa parte da microbacia já foi visitada conforme mostra a figura abaixo.

Imagem 3: A área delimitada pela linha amarela indica a região percorrida pela equipe, restando ainda para ser visitada a área delimitada pela linha vermelha do Setor A, parte do Setor B e todo o Setor D.

O Parque das Cascatas, localizado no setor C  foi o primeiro local de escolha para marcar as coordenadas dos pontos importantes, como erosões, presença de lixo, assoreamento, vertedouros, drenos, mas principalmente por apresentar um importante ponto de assoreamento do Córrego da Cascata. Além da marcação dos pontos (georreferenciamento), também foi realizado o registro fotográfico de cada local.

O lago do Parque das Cascatas é formado por uma barragem do rio. O excesso de água é descarregado para jusante por meio de dois vertedores-extravasores com a função de escoar toda e qualquer vazão. O vertedouro principal, denominado de extravasor de serviço, tem a finalidade de descarregar as vazões freqüentes. O segundo é um vertedouro-extravasor de emergência, usado esporadicamente, durante as grandes cheias.

O primeiro ponto registrado foi o vertedouro de emergência. Próximo ao vertedouro foi observado lixo e muito mato. Apesar disso a água estava aparentemente limpa e sem cheiro. O vertedouro principal ou de serviço encontra-se em bom estado de conservação. O vertedouro de emergência tem acumulo de folhas e um pouco de areia. No vertedouro de escoamento de água pluvial, composto por uma canaleta de concreto que se inicia na Rodovia Domingos Sartor e desemboca no lago do Parque das Cascatas, foi observado grande quantidade de lixo proveniente da rodovia.

Vertedouro de emergência

Vertedouro de serviço

Vertedouro de escoamento

Foi identificado um assoreamento localizado na margem direita do lago. Nesse ponto foi registrado um bueiro, que desemboca próximo ao acostamento da rodovia, sem dissipador de velocidade, fazendo com que a água e partículas de areais desçam até o lago do Parque das Cascatas.

Assoreamento menor localizada na margem direita do lago do Parque das Cascatas


O quinto ponto registrado foi um dreno de pequeno diâmetro, recentemente construído, para drenar um afloramento d’água localizado na rodovia, logo abaixo do piso asfáltico.

Bueiro proveniente da rodovia sem dissipador de velocidade da água  Dreno no asfalto sem dissipador de velocidade da água

O sexto ponto registrado foi o assoreamento maior do lago do Parque das Cascatas, não estável, que visivelmente aumenta a sua área a cada dia.

A equipe colocou estacas de bambus pintadas com faixas vermelhas, dentro e fora da área de assoreamento, para fácil visualização e identificação do nível de areia em relação ao nível da água.
As medidas do nível de areia são anotadas periodicamente, utilizando-se um ponto fixo fora da área de assoreamento como referência. Essas medidas serão comparadas após os períodos de chuva para monitoramento deste assoreamento.

O último ponto registrado pela equipe da caracterização do meio físico, foi um grande bueiro que liga setor A ao setor C da microbacia, conduzindo as águas  das nascentes provenientes de Rubião Jr (Imagem 3: nascentes 1, 2, 3, 4, 5 e 6) por baixo da rodovia até desaguar no lago do Residencial Parque das Cascata.

Em seguida a equipe percorreu o outro lado da rodovia para registrar os pontos mais relevantes. O primeiro ponto registrado foi a drenagem da nascente, parte externa e subterrânea do condomínio Terras Altas, onde pudemos observar a água aflorando do asfalto, o que significa que o asfalto está prejudicando a nascente. O segundo ponto registrado foi um vertedouro, que escoa a água vinda da nascente do Residencial Terras Altas para o outro lado da rodovia, junto ao lago do parque.
Essa erosão pode ter se fragilizado após a fragmentação da mata para a construção da estrada e após forte chuva ocorrida no verão de 2011, houve o desmoronamento da encosta.

Próximo ponto registrado foi da entrada da pousada Rafael, local onde fica o duto de passagem do córrego do lado esquerdo para o direito da estrada. Nesta parte da rodovia temos uma erosão no talude como mostra foto acima.Acreditamos que a falta de vegetação na parte alta dentro da propriedade recanto dos Carvalho.
O dreno de captação de água subterrânea no meio do piso asfáltico também no mesmo local.
A água que escorre do dreno proveniente da rodovia junta-se com a água pluvial e outras do barranco descendo até encontrar o córrego. A equipe decidiu entrar nessa mata e seguir o caminho das águas encontrando muito lixo, onde foi encontrado um sofá e um pneu quase que completamente enterrado, demonstrando o tempo em que esse lixo encontra-se por lá, que é levado com a água da chuva.
Ao sair da mata do outro lado da rodovia, sentido UNESP/Botucatu, foi registrado um ponto em frente da cerca da propriedade Morada do Saci do Sr Aristides Hudge, mostrando uma área de APP muito bem conservada fazendo divisa com o Parque das Cascatas. Nesse local a equipe desceu o barranco até encontrar lado do bueiro que transpõe as águas por debaixo da estrada. A água neste lado perde velocidade mantendo-se límpida.

A Equipe percorreu o lado esquerdo da Rodovia, sentido UNESP/Botucatu e encontrou uma água parada, drenada do condomínio Terras Altas, com aspecto muito sujo. A água foi coletada para análise e a equipe aguarda o resultado.
O ponto seguinte georreferenciado foi um dreno de água pluvial sem manutenção, local onde está sendo construído o encanamento de coleta de esgoto do Residencial Terras Altas e que correrá na APP, paralelo ao Córrego da Cascata. No portão do Sitio São João ou Serra, junto à rodovia, existe muita areia provinda das erosões dos taludes da Rodovia e Residencial Terras Altas.

A equipe georreferenciou as erosões do talude do acostamento do lado direito da rodovia, sentido UNESP/Botucatu. A erosão, pode ter sido formada devido à fragmentação da mata na época da construção da rodovia, escoamento de água superficial da parte alta do terreno ou ainda devido à pouca estabilidade do terreno. Logo adiante novo dreno de água pluvial vinda do Residencial Terras Altas para desembocar na rodovia foi georreferenciado.
A metodologia utilizada para sistematizar as anotações e registros a campo, consiste numa planilha contendo a descrição do evento ( erosão, lixo, efluente), sua localização georreferenciada e o registro fotográfico.
 

No mês de julho a equipe iniciou a coleta de dados a campo pelo Setor A, na região mais alta da bacia, que abrange a Alameda das Sibipirunas no bairro Santo Antônio da Cascatinha, e parte da bacia após o trilho da ferrovia, no bairro Chácara Capão Bonito e Jardim Centenário.

imagem 4: Limite da microbacia: 1 – Alameda das Sibipirunas. 2 – AD. 3 – Ferrovia. 4 – SABESP

O início da visita foi na margem esquerda do rio, região da rotatória, estação elevatória de esgoto da SABESP, Associação dos Docentes (AD), residências do bairro Santo Antonio da Cascatinha.
Nesta área foi observado muito lixo, área de APPs com muita taboa, construções abandonadas dentro de APP, falta de manutenção nos vertedouros e passadores de água pluvial.

Lixo na APP da nascente 7, próximo à rotatória Construção em APP nascente 7   próximo à rotatória Vertedouro de água pluvial na rotatória.

A equipe percorreu toda a extensão da Alameda das Sibipirunas desde o bairro Santo Antônio da Cascatinha até o Residencial Parque das Cascatas onde se inicia.

Fora dos limites do Parque das Cascatas, existem chácaras com ótimo estado de conservação, evidenciado pelas espécies arbóreas encontradas e pelo relato dos moradores sobre a fauna silvestre avistada no local. Foram identificadas espécies de Cabriúva, Peroba, Palmito entre outras espécies que em sua maioria foram plantadas pelos moradores, como a paineira ao lado, encontrada na mata de divisa entre a Morada do Saci e a mata do Parque das Cascatas

A chácara Morada do Saci, por exemplo, apresenta ótimo estado de conservação onde as APPs apresentam mata ciliares densas, vegetação arbórea com muitas espécies e adultas, mostrando um bom tempo de existência. Foram encontradas pequenas nascentes que não estão catalogadas na carta padrão do projeto.

Já na área urbanizada da Alameda das Sibipirunas, dentro do Residencial Parque das Cascatas, foram encontradas pequenas nascentes e áreas encharcadas, onde existem construções, aterros e sem vegetação adequada. Existem casas construídas dentro de charcos e nascentes, terrenos roçados e colocados a venda sem o menor respeito com as APPs. Também foram encontradas duas fossas com vazamento de seus efluentes.

Terreno encharcado (brejo) e terreno aterrado ao fundo à venda. Pequena nascente não catalogada na carta base do projeto.

A equipe percorreu parte da microbacia passando o trilho da ferrovia, nos bairros Chácara Capão Bonito e Jardim Centenário.
Nos trilhos do trem, foi observado acúmulo de lixo e restos de material da ferrovia, muitos trilhos jogados nos barrancos sob a vegetação, cravos e parafusos soltos e dormentes velhos apodrecendo no local.
Na chácara Capão Bonito e Jardim Centenário, depois do trilho do trem, divisa com a bacia do Córrego do Cintra, foi observado que a região já esta toda demarcada por ruas de terra com problemas sérios de acúmulo de lixo, deposição de entulho e pequenos sulcos formados por drenagem de águas pluviais. No Jardim Centenário, tivemos contato com catadores de lixo que mostraram interesse em participar do projeto, e esse contato foi passado para a equipe responsável pelo meio social.

Ferrovia, estado de conservação: cravos e parafusos soltos, dormentes velhos Seu Raimundo catador de materiais recicláveis e sua carroça.

Caminhando pelo trilho do trem em direção à cidade, a equipe constatou que a região está muito bem preservada. É uma região muito linda que poderá ser aproveitada turisticamente, pois possui atrativos como nascentes com olhos de água brotando, raros em nossa região, uma vegetação muito rica e bem conservada nas beiradas do trilho do trem, cortes de taludes da ferrovia com sua engenharia muito bela e em bom estado de conservação.
 

No talude esquerdo da ferrovia foram observadas duas erosões de grandes proporções, acúmulo de entulho, alguns pontos com erosão e aterro de áreas de encharcadas (APPs), próximas á propriedade das indústrias CAIO/ Induscar.

Erosão no talude da ferrovia Entulho no talude da ferrovia Erosão no talude da ferrovia

Foi registrada pela equipe uma nascente na linha férrea que segue em direção ao Parque das Cascatas através de bueiro e que origina um lago artificial em residência na Alameda das Cássias.

Nascente na área na ferrovia que drena para dentro do residencial Parque das Cascatas

O Residencial Parque das Cascatas está sendo cercado por um muro de concreto que causa um grande impacto na região como lixo, restos de concreto e entulhos, terras sem contenção, muitos pneus que acreditamos serem utilizados no assentamento das placas de concreto e terrenos sem vegetação de forma inadequada propiciando novas pequenas erosões. O ponto positivo que resultou da construção do muro é o plantio de aproximadamente 500 árvores nativas e a implantação de dispositivos de passagem da fauna silvestre.

A equipe percorreu parte do Setor C, visitando as propriedades que são banhadas pelo Córrego da Cascata. A primeira área visitada foi o Rancho Carolina, de propriedade do Sr. Fernando Cury, localizada no terço médio da bacia fazendo divisa com a ferrovia o residencial Spazio Verde e o Parque das Cascatas.
A propriedade possui área com pastagem nativa e exótica, mostrando pouco aproveitamento de seu potencial pecuário, utilizando poucos animais por área.
As áreas de APP no geral estão bem protegidas, mas existem também áreas comprometidas com pequenas nascentes com ausência de mata ciliar.

Na parte alta, fazendo limite com a ferrovia, foram observadas duas erosões que merecem preocupação e estudo para recuperação. Também foi observada uma erosão estabilizada com boa vegetação.

Grande erosão causada pela falta de manutenção dos taludes da ferrovia. Segunda grande erosão pela falta de manutenção dos taludes da ferrovia. Erosão estabilizada com gramínea e vegetação arbórea, Rancho Carolina

 A propriedade possui varias nascentes não registradas na carta base do projeto, a maioria em bom estado de conservação.
A equipe pôde observar que a parte baixa da área da propriedade, o Córrego da Cascata é aberto, sua calha é rasa com águas espraiadas e com poucas árvores, necessitando de regeneração florestal. A equipe percorreu a borda das matas, contornando as APPs, em direção ao Parque das Cascatas, onde observou pequenas nascentes e campinas.
 

Dentro do Parque das Cascatas na divisa com o Rancho Carolina a equipe observou a presença de uma nascente em área urbanizada, utilizada como parque para as crianças do residencial, na Alameda dos Ipês. A nascente apresenta pouca proteção, muito lixo e restos vegetais, proveniente de resíduos de roçadas e podas.
Nesta mesma área foi constatado o loteamento de uma área de aproximadamente 18 mil m² onde é APP. O local  é um banhado, e está sendo aterrado, podendo comprometer a mata ao seu redor.

Na segunda quinzena de julho a equipe visitou a Pousada Rafael de propriedade do Sr. Paulo Nunes, localizada no Setor B, no lado direito da rodovia, sentido UNESP/Botucatu.

A propriedade foi totalmente percorrida e constatou-se a presença de uma estrada de terra recém aberta com início de erosão, a provável maior causadora do assoreamento do lago do Parque das Cascatas, um reflorestamento proveniente de ajustamento de conduta muito bem cuidado, boa conservação das matas ciliares e várias pequenas nascentes não identificadas na carta base do projeto. Segundo o funcionário, a propriedade está sendo loteada e teve que realizar o reflorestamento para obter a licença.
 

Ainda no setor B, a equipe visitou o Recanto dos Carvalhos, de propriedade do Sr. Junot de Lara Carvalho. A propriedade possui poucas árvores e a nascente está sem proteção. O proprietário pediu orientação para realizar uma restauração florestal da nascente, que também não consta da carta base do projeto.

Outras propriedades agora no setor C foram visitadas, situadas do lado esquerdo da Rodovia Domingos Sartor, sentido UNESP/Botucatu.
As propriedades do Sr. Antonio Sartor e do Sr. Milton Nitsche são utilizadas como moradia, já o Sr Antonio Pereira de Sousa, proprietário do Sítio Santo Antonio, além de residir, explora a propriedade produzindo hortaliças, morango e mel.
O Sr. Antonio Pereira é beneficiário do projeto e na sua propriedade será realizado o plantio de espécies arbóreas frutíferas nativas.
Estas propriedades possuem boa conservação de APPs e várias nascentes sem registro na carta.

A partir do Sítio Santo Antônio esta sendo instalada a rede de esgoto da SABESP que vem do Residencial Terras Altas e passa pelas outras duas, sentido Botucatu.

A equipe percorreu ainda a propriedade que pertence a Fundação Casa das Meninas, no mesmo setor, onde observaram as APPs completamente sem proteção, algumas nascentes menores não registradas na carta base do projeto. Esta área é uma das beneficiárias do projeto, onde se realizará um plantio de árvores nas APPs
 

Assoreamento do Córrego da Cascata a jusante do residencial Spazio Verde

No dia 25 de julho, a equipe do projeto presenciou um grande incêndio florestal dentro da bacia, no setor C. De acordo com o relato dos moradores e constatado na sistematização do questionário, todos os anos o fogo destrói boa parte da vegetação florestal e toda a área de pastagens em várias regiões da microbacia.

O fogo atingiu a vegetação composta por pastagem nativa e exótica, campina, banhado, mata ciliar, pequena floresta de Pinus e cerrado. Na floresta mais estável o fogo pegou só nas bordaduras
A erosão já descrita anteriormente, que estava estabilizada por adensamento da vegetação, poderá ficar vulnerável com a perda da vegetação de pinus, árvores nativas e gramíneas.
Neste local as pastagens estavam reservadas para o período do inverno e por isso estavam altas e com grande quantidade de massa. Uma forte geada no mês de junho colaborou para que o pasto seco se transformasse num material de fácil combustão.
Este ambiente proporcionou um fogo alto e de rápida combustão causando a queima de árvores isoladas, mesmo as altas, prejudicando muito o ambiente para os animais silvestres.
A área do banhado ficou com toda a margem bem queimada, diminuindo a proteção da vegetação, aumentando o fator de arrasto de partículas no período das enxurradas.

Fogo no residencial Parque das Cascatas, destruindo a borda da mata

Um questionário foi respondido pelos proprietários de chácaras e sítios localizados na microbacia do Córrego da Cascata, com a finalidade de conhecer melhor as propriedades, como são utilizadas, quais objetivos de seus proprietários para o futuro, a qualidade ambiental existente, regularização da reserva legal, presença de mata ciliar nas APPs, e se existe Outorga para uso da água.
A seguir o resultado parcial do questionário, uma vez que nem todos os proprietários foram visitados. Até o presente momento, onze proprietários responderam ao questionário.


 

Terceiro trimestre da Caracterização do Meio Físico

A equipe da Caracterização do Meio Físico da microbacia hidrográfica do Córrego da Cascata tem a tarefa de promover o diagnóstico do uso e ocupação do solo da microbacia através de visitas a campo, coletar a água do Córrego da Cascata e promover sua análise.

Até o presente momento, mais de 70% das terras da microbacia já foram visitadas e os fatores de degradação bem como os atributos da microbacia já foram georreferenciados. A maior dificuldade da equipe na realização dessas tarefas foi encontrar alguns proprietários do setor B, onde está localizado o bairro Jardim Tropical o que torna o diagnóstico dessa região um pouco superficial, uma vez que a equipe não consegue autorização para adentrar nas propriedades.

Após autorização para visita, a equipe foi a campo no Morro de Santo Antônio, no bairro Santo Antônio da Cascatinha, sub distrito de Rubião Júnior.A propriedade não possui nome e têm terras dos dois lados do morro e ainda um pequeno pedaço do outro lado da Rodovia Domingos Sartori, entre a Chácara Muro de Pedra e a rotatória da Rodovia Domingos Sartori.

Imagem 5: Caracterização do meio físico do Setor A. Área degradada ocupada por pastagem, sem curvas de nível

A propriedade está sem utilização e possui problemas de erosão, lixo, falta de proteção ao solo, ausência de curvas de nível nos pastos, casas demolidas e falta de cuidados como fossas sem tampa. O representante dos proprietários revelou que teve várias vezes problemas de incêndios, em vários locais da propriedade, incêndios iniciados principalmente a partir da Rodovia.

No ano de 2005 um incêndio florestal no Morro de Santo Antônio teve início na pastagem desta propriedade. O fogo durou três dias e consumiu boa parte da vegetação arbórea. A partir dessa data, a prefeitura de Botucatu, incentivada pela ONG SOS Cuesta, mantêm um aceiro na borda da mata do Morro evitando novo incêndio.

 Outro problema relatado refere-se às invasões nas casas abandonadas, levando a família a demolir as moradias ali existentes.

O representante da família mostrou interesse em plantar árvores em áreas de APP localizadas no morro e nas nascentes, além de realizar curvas de nível em toda a área de pastagens.

Imagem 6: Caracterização do meio físico do Setor B. Grande área degradada ocupada por pastagem com pouco adensamento urbano.

A equipe visitou o setor B onde está localizado o bairro Jardim Tropical região onde predominam chácaras de laser e vários terrenos sem utilização. A região tem pouca atividade de agricultura, produção ou atividade rural. São áreas pequenas, em média entre 0,5 e 4 hectares e os problemas mais comuns encontrados estão relacionados ao acúmulo de lixo, pequenas erosões laminares, ruas de terra com problemas de enxurradas e queimadas.

Foi realizada a visita ao Residencial Terras Altas, também localizado no setor B, fazendo limite com o bairro Jardim Tropical.

O Residencial é um condomínio de alto padrão, recém formado, com poucas casas construídas mas mesmo assim, foram encontrados problemas de drenagem em ruas asfaltadas, terrenos à venda com grande área dentro de APP e pequenas erosões. Na parte de mata temos reflorestamento, nas áreas de nascentes temos recuperação com reflorestamento e erosões controladas nas áreas de drenagem urbana.

O problema maior desta região está nos taludes de recorte da Rodovia Domingos Sartor, onde foi construído um muro que ameaça cair.

Imagem 7: Caracterização do meio físico do Setor C. Área de várzea com barragem abandonada

A equipe também visitou a propriedade Chácara Recanto do Saci, localizada na intersecção dos setores A e C. A propriedade apresenta ótimo estado de conservação onde as APPs apresentam mata ciliares densas, vegetação arbórea com muitas espécies e adultas.

Foram encontradas pequenas nascentes que não estão catalogadas na carta padrão do projeto. Nessa propriedade observamos a preocupação do proprietário em fazer aceiros, pois o fogo é comum na beirada da estrada.

No Parque das Cascatas a equipe promoveu a checagem através de observação das estacas que foram colocadas no lago no trimestre anterior, para monitorar o assoreamento da represa. Como as chuvas que caíram em outubro foram pequenas em volume, não houve diferença de assoreamento visível.

Em outubro a equipe realizou uma visita a campo numa extensa área de várzea compreendida entre a Chácara São João ou Serra, o Residencial Parque das Cascatas, a Chácara Santo Antônio e o Rancho Carolina.

Na área de várzea encontra-se uma barragem antiga, pertencente à ferrovia, com uma parte destruída, mas no geral ainda em bom estado de conservação, com suas paredes de pedra com mais de quatro metros de altura. Nesta várzea as APPs têm boa vegetação, o córrego apresenta águas limpas e indicativos de grande trânsito de animais pelas trilhas onde são observados os seus rastros.

Seguindo as águas em direção ao Parque das Cascatas na área de divisa com o Rancho Carolina, encontra-se a segunda cascata do Residencial Parque das Cascatas. Foi observado que toda esta região está muito bem conservada e protegida, mostrando pouca interferência humana.

 

Imagem 8: Caracterização do meio físico do Setor D. Áreas de Proteção Permanente sem mata ciliar

 Este setor é bastante adensado e é composto pelo bairro Recanto Azul e uma pequena porção da Vila São Luis. Foram observados vários pontos com lixo, erosão, falta de vegetação em APP, construções em APP, falta de galerias pluviais e drenagem adequada. Foi encontrado um reflorestamento sem manutenção nas margens do Córrego Cascata, a jusante da Rodovia Marechal Rondon, porém a equipe não conseguiu descobrir o responsável.

As coletas de água são realizadas na última quarta feira do mês e sempre nos mesmos locais pré estabelecidos no primeiro trimestre, conforme indicam as setas amarelas da imagem 2.

A coleta é realizada em 6 pontos ao longo do Córrego da Cascata. As análises são realizadas no CEAQUIM, Centro de Apoio Químico ao Ensino à Pesquisa e de Prestação de Serviços, ligado ao Departamento de Química e Bioquímica do Instituto de Biociências da UNESP/Botucatu, parceiro oficial do projeto.

Até o presente momento foram realizadas 8 coletas e a qualidade das águas do Córrego da Cascata é avaliada através de parâmetros de qualidade pela simples observação da turbidez, cor, presença de materiais flutuantes e em suspensão, temperatura da água e do ar e o cheiro da água. Outros parâmetros de qualidade requerem aparelhos especiais onde é medido o oxigênio dissolvido, a demanda bioquímica de oxigênio (DBO), nitrogênio, fosfatos e o pH. Também são utilizados parâmetros microbiológicos para analise das condições sanitárias da água pesquisando a presença de bactérias coliformes, através da análise dos coliformes totais e dos coliformes termo tolerantes. A metodologia de análise utilizada pelo CEAQUIM é a Standard methods for examination of water and wastewater GREENBERG, et al. (2005); e o Índice de Qualidade da Água (IQA) CETESB.

Quarto trimestre da Caracterização do Meio Físico

No mês de novembro a equipe da Caracterização do Meio Físico apresentou aos moradores/gestores os resultados coletados na bacia durante a oitava RTC.

O objetivo da apresentação foi mostrar através de fotos o atual estado da bacia. Os principais fatores de degradação e sua exata localização como pontos de descarte de lixo e entulho; Três importantes queimadas em remanescentes florestais e áreas de pastagens; erosões em diferentes pontos da bacia; várias nascentes que não constavam da carta hídrica pela qual o projeto foi inicialmente baseado; deficiências da drenagem urbana; as principais causas e principais pontos de assoreamento; comercialização de lotes e construções em APP; despejo de esgotos e a identificação de locais bonitos e interessantes, propícios para o turismo ecológico, pedagógico e religioso.

  •  Lixo e entulho

O lixo e o entulho são encontrados em toda a abrangência da bacia, sendo encontrado em maior dispersão nas áreas mais urbanizadas.

 

  •  Queimadas

O fogo atingiu todo tipo de propriedade, seja rural, urbana e intermediária. Durante este primeiro ano de execução do projeto Córrego da Cascata, ocorreram vários pequenos focos de incêndios na bacia, porém vivenciamos três grandes e importantes incêndios.

O primeiro incêndio ocorreu no dia 25 de julho, no setor C da microbacia, tendo início no loteamento Spazio Verde passando pelo Rancho Carolina, Residencial Parque das Cascatas, chegando até a ferrovia, queimando uma área de aproximadamente 30 hectares.

Os bombeiros foram deslocados do Rancho Carolina quando o fogo chegou ao Residencial Parque das Cascatas, pois havia perigo do fogo chegar às residências. Moradores, membros da SOS Cuesta e bombeiros controlaram a queimada utilizando a água das residências e fogo de encontro.

Nesta ocasião uma grande área de pastagem foi atingida assim como 400 metros de mata ciliar à beira do rio; parte de um bosque de pinus e grande extensão de mata ao redor dos pastos. Na área de várzea a vegetação nativa queimou toda, mas a umidade do rio acabou segurando o fogo.

O segundo foco de incêndio ocorreu dia 10 de setembro, no setor B da microbacia, na antiga estrada de Rubião Júnior, atingindo várias propriedades vizinhas ao Refúgio dos Carvalhos, seguindo em direção à cidade, queimando aproximadamente oito hectares.

As propriedades atingidas são utilizadas para recreio aos finais de semana o que dificultou o controle do fogo que destruiu cercas, florestas de eucalipto, gramados e até pequenas construções.

O terceiro foco foi dia 4 de outubro, no remanescente florestal do bairro Recanto Azul localizado no setor D da microbacia, dentro do perímetro urbano da cidade.

O incêndio consumiu grande parte da vegetação deste remanescente, principalmente a vegetação rasteira, cipós e trepadeiras. A área tem grande quantidade taquaris que propiciaram a formação de labaredas que atingiram a copa de grandes árvores.

Em todas as ocorrências os bombeiros foram acionados, mas como o efetivo é pequeno e a prioridade é resgate de pessoas, eficiência deste comando foi pequena.

Frente à falta de estrutura dos Bombeiros, Falta de uma Brigada de incêndio da Prefeitura ou comissão de combate ao fogo da Defesa Civil de Botucatu, sugerimos a criação de uma Força tarefa que fique responsável por controlar tais eventos.

Neste segundo ano de projeto a ONG SOS Cuesta de Botucatu, através do projeto Córrego da Cascata, tentará criar mecanismos que venham a agilizar ações de combate e prevenção de queimadas na microbacia e estimular leis contra as queimadas rurais e urbanas. 

  • Erosão

A erosão é encontrada em todos os setores da microbacia, sendo que as maiores estão localizadas em propriedades rurais como é o caso do Rancho Carolina que abriga duas erosões de grandes dimensões provenientes do talude da ferrovia que faz limite com a propriedade.

Todas as grandes erosões encontradas na microbacia certamente foram iniciadas com os cortes de taludes e em aterros para a abertura de estradas e ruas.

 

Erosão de corte de talude na Rodovia Domingos Sartori com carreamento de terra para as área de drenagem, desembocando no Córrego da Cascata

 

  • Drenagem Urbana

A drenagem das águas pluviais provenientes das ruas ou das estradas são as grandes responsáveis pelo agravamento das erosões e início dos assoreamentos.

A parte urbana da microbacia apresenta sérios problemas de drenagem das águas pluviais que somados à alta declividade e o solo arenoso acabam agravando o assoreamento do Córrego da Cascata. Os loteamentos da microbacia implantados em áreas de alta declividade, não possuem drenagem adequada para o volume das chuvas, estão sub dimensionados em relação às áreas impermeabilizadas e tampouco foram planejados para o tipo de solo da microbacia.

  •  Assoreamento

A equipe calcula que na microbacia existam aproximadamente 70 hectares de pastagens sem curvas em nível. Esse é o principal fator que colabora com assoreamento e maior vazão do córrego durante as fortes chuvas.

 

Represamento do Córrego da Cascata no Residencial Parque das Cascatas. Medição do assoreamento

 

  •  Despejo de esgotos

Quase todos os bairros da bacia possuem rede de esgoto com exceção do Residencial Parque das Cascatas que se utiliza do sistema de fossa séptica que é uma unidade de tratamento primário de esgoto doméstico. É uma maneira simples e barata de disposição dos esgotos indicada, sobretudo, para a zona rural ou residências isoladas. Todavia, o tratamento não é completo como numa Estação de Tratamento de Esgotos.

A manutenção da rede de esgoto é deficitária permitindo a ocorrência de vazamentos observados repetidas vezes nos mesmos locais e que causam derrame de águas residuais no Córrego da Cascata.Em algumas situações as redes coletoras de esgoto passam por dentro de propriedades rurais e quando ocorre um vazamento este demora a ser detectado, agravando o dano ambiental. Problemas com vazamentos não têm solução efetiva, apenas podemos esperar que a manutenção e a vigilância da rede coletora possam diminuir a frequência dos derrames e seus períodos entre começar e parar.

Na estação elevatória de Rubião Jr. registramos um vazamento que permaneceu por vários dias. Os moradores reclamaram do odor e a equipe foi a campo e registrou o derrame. A SABESP foi notificada e após dois dias o problema foi sanado.Segundo os moradores o esgoto deve ter vazado durante 10 dias até que fosse resolvido.

Um segundo vazamento na estação elevatório de Rubião Jr, com grande quantidade de esgoto derramado no córrego deixou as suas águas com odor característico de descarga de esgoto até uns 100 metros abaixo do ponto de vazamento.

No bairro do Recanto Azul, no começo da Avenida Bons Ares, foi observado um vazamento de grande volume, direto no córrego. Pela marca deixada pelas águas residuárias no barranco e o tanto de umidade no solo e gramado nos arredores, este vazamento perdurou muitos dias. Outro vazamento na estação de tratamento do Recanto Azul, localizado na Rua Joaquim Marins foi rapidamente identificado e sanado.

Outro problema de responsabilidade da SABESP são as obras sem os cuidados de limpeza e retirada de materiais após sua finalização. Foi observada junto à ferrovia, na Alameda das Sibipirunas, uma obra próxima ao barranco que favorecerá ao assoreando do asfalto e ruas por falta de vegetação ou adequação dos taludes.

Uma nova rede de coletora de esgoto proveniente do Residencial Terras Altas foi instalada no ano de 2011, passando pelo Sitio São João ou Serra onde atravessa a Rodovia Domingos Sartori. Neste local foi observada a falta de cuidados com as obras em áreas de preservação permanente.

(C) no condomínio Terras Altas, obras foi observada a existência de bueiros abertos e a obra sem sinalização.

Fechando a apresentação da Caracterização do Meio Físico, foi mostrado aos moradores que a bacia possui vários locais conservados, belos com potencial de aproveitamento turístico, cultural e educativo.

Ainda na RTC 7 o parceiro do projeto Ivalde Belutta, representando o CEAQUIM, Centro de Apoio Químico ao Ensino à Pesquisa e Prestação de Serviço, apresentou o IQA (índice de qualidade de água) do Córrego da Cascata. Este indicador é uma das formas de avaliar a qualidade de água e que está sendo utilizado pela equipe do projeto como referência.

O IQA utiliza os parâmetros de temperatura da amostra, pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio (5 dias, 20ºC), coliformes termotolerantes, nitrogênio total, fósforo total, resíduo total e turbidez. Todos estes parâmetros são avaliados nas coletas de água mensais.

O Sr. Ivalde revelou que o IQA da bacia encontra-se na condição de ótima e boa, e julga que a qualidade de suas águas é surpreendente, considerando que se trata de uma microbacia quase urbana. 

Ao concluir a caracterização do meio físico a equipe do projeto Córrego da Cascata localizou e identificou os principais fatores de degradação da microbacia. Para que esses fatores possam ser mitigados ou sanados, a equipe elaborou 7 ofícios destinados aos moradores e iniciativa privada e 5 ofícios destinados às secretarias municipais contendo a descrição dos problemas encontrados, a recomendação de mitigação, em alguns casos a sugestão de como mitigar os problemas e incluiu nos ofícios algumas fotos.

O primeiro ofício foi entregue à Secretaria do Planejamento identificando as áreas de pastagens sem cordões de contorno, propiciando as enxurradas e consequentemente, causando o acúmulo de areia nos rios. Esse fator de degradação também afeta as ações do Poder Público que pretende realizar com financiamento do PAC, a construção de um piscinão na bacia para evitar enchentes. A construção de cordões de contorno nas áreas de pastagens certamente favorecerá a retenção das enxurradas em até 50%.

O assoreamento do Córrego da Cascata é intensificado pelas ruas de terra sem manutenção adequada e pela falta de galerias pluviais nos bairros localizados na parte alta da bacia, favorecendo o carreamento do solo nos dias de chuva para as propriedades lindeiras que não conseguem reter as partículas, resultando em grande quantidade de solo para dentro do córrego.

Outro fator de grande preocupação e atenção na bacia é o acúmulo de lixo e entulho em todos os setores, mas com maior volume nos bairros pouco urbanizados do setor A e B da bacia. A equipe identificou que a quantidade de lixo esparramada por todos os cantos da bacia são em decorrência da ausência de fiscalização, orientação e de uma alternativa economicamente viável para a população de baixa renda dispor de seu lixo com eficiência.

O Secretário Municipal de Planejamento Carlos Eduardo Colenci foi bastante receptivo e sugeriu a organização de um mutirão para a catação de lixo e entulho na bacia. Indicou que pode colaborar com os custos na construção de cordões de contorno mesmo em propriedades particulares, pois essa ação diminuiria a possibilidade de enchentes na cidade. Concluiu que deseja fazer destas sugestões um plano de governo.

Sugeriu ainda que a equipe entrasse em contato com a Ouvidora Municipal, por intermédio da Sra. Isabel Conti para que ela acompanhasse a equipe e agendasse as reuniões com as outras secretarias.

A equipe visitou o Sr Domingos Chavari Neto diretor da Defesa Civil Municipal, e abordou os problemas de enchentes, lixo e principalmente do fogo. A cidade não possui estrutura para combate de incêndios na zona rural ou na periferia da cidade em áreas vegetadas. A equipe solicitou à Defesa Civil, a criação e gestão de uma brigada de incêndios para atender a estes eventos. O diretor prontificou-se a promover a criação da brigada de incêndio, através de parcerias com empresas privadas e com outras secretarias de governo.

A equipe visitou a Secretaria de Vigilância em Saúde Ambiental e informou sobre os problemas existentes de lixo, entulho e vazamento de esgotos. Os derrames de esgotos na bacia são frequentes e difíceis de identificar nos bairros mais afastados e com menor densidade populacional. A Sra. Gabriella Koppány González se prontificou a colaborar e comprometeu-se a intensifica a fiscalização.

 A equipe visitou a Guarda Civil Municipal e apresentou sugestões para a formação de uma brigada de incêndio. O comandante da GCM colocou a instituição à disposição da Defesa Civil, disponibilizando o telefone 199, para ativar e encaminhar os chamados aos parceiros da brigada em caso de incêndios.

Visita à Guarda Civil Municipal 

Em visita à Secretaria do Meio Ambiente a equipe voltou a abordar os problemas de lixo, entulho, incêndios, coleta seletiva, licenças ambientais e arborização. O novo secretário, Layre Colino Jr se prontificou a internalizar junto ao poder público, as demandas dos moradores da microbacia.  

A última visita foi realizada com o Sr. Wellinton Lopes, Secretário de Desenvolvimento, na presença do Secretário de Descentralização e Participação Comunitária, João Carlos Figueiroa. O secretário Wellington se propôs a levar os problemas apresentados para todos os secretários municipais e viabilizar as sugestões do Secretário do Planejamento, apoiando o compromisso de transformar as ações de proteção à microbacia em Plano de Governo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Visita ao Secretário Municipal de Governo

A ouvidora da prefeitura, Sra. Isabel Conti foi grande parceira neste trabalho de mobilizar o poder público agendando e acompanhando a equipe em todas as reuniões com os secretários.

Durante o mês de abril a equipe procurou contatar os proprietários rurais e de terrenos nas áreas limítrofes da microbacia, para alertar sobre os problemas encontrados nas visitas da caracterização do meio físico, apresentar alternativas para melhorar a qualidade ambiental da propriedade e saber se o proprietário teria condições de implementar as soluções sugeridas.

A equipe decidiu marcar encontro com os proprietários cujas propriedades têm maior interesse ambiental para a microbacia como um todo e o parâmetro foi de acordo com o tamanho da propriedade ou por importância dos problemas. A equipe também fez contato com empresas que de alguma forma interferem na bacia, entregando ofícios, identificando os problemas, indicando soluções viáveis e solicitando apoio e participação. Este trabalho foi lento, pois alguns encontros foram difíceis de agendar, mas a equipe acredita que serão de grande efeito para a conservação, recuperação e gestão da microbacia.

No Sítio São João ou Serra, propriedade beneficiada pelo projeto Córrego da Cascata, foi registrada uma erosão resultante das águas de uma nascente sem proteção, situada na propriedade vizinha, na divisa do Residencial Terras Altas. Ambos os proprietários desejam proteger a nascente e controlar a erosão. Outro proprietário beneficiado pelo projeto, do Sítio Capão Bonito de Baixo, reconheceu a necessidade de reformar os cordões de contorno da propriedade e se dispôs a reformar toda a área de pastagem.

Os proprietários do Rancho Carolina, do sítio da família Osíris Pinto, da Chácara Santo Antonio, do Refúgio dos Carvalhos e da Estância Rafael foram contatados e esperamos retorno para agendamento de visita. O proprietário da Estância Rafael não reside em Botucatu, o que dificulta ainda mais o agendamento. Para a Concessionária da ferrovia ALL também foi enviado ofício indicando o problema com a erosão do talude na divisa do Rancho Carolina. Essa erosão é sem dúvida o maior evento de degradação da microbacia.

 

 

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