Caracterização Socioambiental da Microbacia Hidrográfica do Córrego da Cascata

 

 

Área da Microbacia Hidrográfica do Córrego da Cascata delimitada pela linha rosa, dividida em 4 setores de caracterização. Nascentes numeradas de acordo com a maior distância em relação à foz (14).

 

 

Missão do projeto

 Promover a reversão dos processos de assoreamento do Córrego da Cascata e planejar ações integradas e participativas de manejo e gestão da microbacia hidrográfica.

 

 

                                                                                        Assoreamento da represa do Parque das Cascatas

 

O Córrego da Cascata

 

Córrego é a denominação de um corpo de água corrente de pequeno porte. Dentro de uma microbacia hidrográfica é fundamental para garantir o fluxo da água, pois capta e drena a água das chuvas e principalmente das nascentes. É vital para a formação de rios maiores e de seus afluentes.

O Córrego da Cascata tem 4,2km de extensão e pertence à Bacia Hidrográfica do Córrego Água Fria, importante tributário da margem esquerda do Ribeirão Lavapés.

            É abastecido por 13 nascentes principais sendo que 8 estão localizadas na margem esquerda e 5 na margem direita. Ao todo, conta com 24 pequenos olhos d’água e afloramentos por horizontes permeáveis.

Mesmo com forte tendência de expansão urbana e o aumento da densidade populacional local, o Córrego da Cascata conserva a boa qualidade de suas águas .

 

 

                                                                                   As águas de boa qualidade do Córrego da Cascata

 

A Microbacia do Córrego da Cascata

 

A Microbacia Hidrográfica do Córrego da Cascata ocupa uma área de 554 hectares e compreende 12 bairros onde residem 3.849 pessoas.

Muitos são os atrativos naturais da microbacia com destaque para a beleza do relevo que exibe um dos morros testemunhos da região, o Morro de Rubião Júnior, com 923 metros de altura. Ao longo do seu percurso, o Córrego da Cascata desfruta das ondulações do terreno para se lançar em 5 cachoeiras e diversas cascatas, para descansar em 5 represas e se esparramar em 27 ha de várzea.

Quatro remanescentes de floresta estacional semidecidual abrigam 184 espécies da flora brasileira distribuídas em 52 famílias que garantem a qualidade ambiental da microbacia, com destaque para as matas do Morro de Rubião Júnior e do Parque das Cascatas que fornecem alimento e abrigo para 136 espécies de aves, distribuídas em 43 famílias e 16 espécies de mamíferos.

Além dos atrativos naturais a microbacia possui atributos históricos, com destaque para a Estação Ferroviária de Rubião Júnior; atrativos religiosos com destaque para a Igreja de Santo Antônio, que determinam entre outras, sua aptidão para o turismo.

A microbacia do Córrego da Cascata é a última bacia urbana do município de Botucatu onde ainda se mantém relativa qualidade ambiental.

 

Igreja de Santo Antonio

 

 

 

 

Caracterização do Meio Social

Tarefa:

Diagnosticar as tendências sociais da microbacia procurando informações da dinâmica populacional. Estimular a gestão participativa para pactuar os usos da microbacia. Promover a Educação Ambiental.

 

A microbacia é composta por 12 bairros onde as desigualdades sociais são quase inacreditáveis.

Os bairros Santo Antônio da Cascatinha, Jardim Sueleny, Rubião Júnior, Jardim Centenário e Capão Bonito, localizados na cabeceira da microbacia, concentram a população de menor escolaridade e renda, sendo que 66 famílias estão inscritas em algum tipo de projeto assistencial federal, estadual ou municipal.

Pela simples observação pode-se constatar que o setor A difere dos demais bairros da microbacia no que se refere às condições de habitação, infraestrutura urbana e transporte. As habitações desse setor são muito simples, muitas delas sem reboque, de telhado de amianto e sem muros de divisa entre vizinhos.

 

 

 

A grande maioria das ruas do setor não tem asfalto nem calçadas e todas as casas têm fornecimento de energia, de água e coleta de esgoto. Poucas possuem antena parabólica, telefone, internet e automóvel. Apesar da simplicidade não é uma área constituída de favelas.

Em contrapartida, a pequena área comercial e residencial, localizada nas imediações da Rodovia Domingos Sartori, com toda a infraestrutura urbana, contém cortiços que abrigam famílias de baixíssima renda ou que possuem algum membro em tratamento no Hospital das Clínicas da UNESP.

 

Pequeno comércio em Rubião Júnior

O setor B tem baixa densidade demográfica, contando com moradias de médio e alto padrão. A maior parte deste setor é ocupada por pastagens abandonadas e pequenas chácaras utilizadas por seus proprietários nos finais de semana. Algumas dessas chácaras são alugadas para festas. Neste setor está localizado o residencial Terras Altas, dotado de infraestrutura e equipamentos urbanos, cujos lotes estão sendo edificados com casas de alto padrão.

O setor C é constituído quase que totalmente por chácaras maiores, algumas de alto padrão, localizadas ao longo da Rodovia Domingos Sartori. O setor possui 2 residenciais de alto padrão, dotados de infraestrutura e equipamentos urbanos. O Parque das Cascatas concentra uma população de alta renda e alta escolaridade, mas o bairro não dispõe de coleta e afastamento de esgoto o que representa uma fragilidade para o bairro e para a qualidade da microbacia. O Residencial Spazio Verde está em fase inicial de edificação de seus lotes.

 

Residencial de alto padrão

 

Por não estarem totalmente urbanizados e adensados, os bairros Terras Altas, Spazio Verde e Jardim Tropical constituem um fator importante para a preservação da qualidade ambiental ribeirinha se os moradores desses bairros tiverem a oportunidade de conhecer alternativas sustentáveis de uso e ocupação dos solos e utilizá-las no planejamento de suas futuras moradias.

O setor D é totalmente adensado e urbanizado e é composto por uma população heterogênea em relação à renda e escolaridade.

Independente do grau de escolaridade a população da microbacia não tem consciência da sua real interferência no ambiente onde mora, nem das consequências que as suas ações causam para a bacia como um todo. 

Dentro dos limites da microbacia não existe posto de saúde, farmácia, padaria, supermercado ou banca de jornal. Para ter acesso a esses serviços a grande maioria da população da microbacia se dirige até a cidade de Botucatu, com exceção da população do setor A que se utiliza do pequeno comércio local, constituído de mercearias e do comércio do Distrito de Rubião Jr.

Os serviços médicos são prestados na cidade de Botucatu ou na UNESP localizada nas vizinhanças do setor A. Neste setor, muitas casas pertencem à Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (FAMESP), instituída pela UNESP para atuar na área assistencial da saúde, ensino e pesquisa, como suporte inicial ao Hospital das Clínicas e à Faculdade de Medicina de Botucatu.

O transporte público não serve aos setores B e C sendo que moradores e trabalhadores desses setores só tem acesso aos ônibus que trafegam na rodovia Domingos Sartori.

Em toda a microbacia existe apenas uma escola de ensino infantil (Creche Municipal João Rosseto e EMEI Hermelindo Borgatto) e um projeto social o Projeto Preservando o Futuro, com atividades socioeducativas que atendem crianças e jovens de 7 aos 16 anos matriculados na escola.

Todos os setores da microbacia têm coleta de lixo. Destaque para o Residencial Parque das Cascatas que tem o serviço de coleta seletiva de lixo porta a porta, realizada pela Cooperativa de Agentes Ambientais. Todos os setores são beneficiados com os serviços de correio, sendo que o setor A possui em seu território uma pequena Agência dos Correios.

Apenas os setores A e D são servidos pelo serviço de varrição pública. Também no setor A existe uma família que aumenta sua renda com a coleta de lixo reciclado informal.

Os Residenciais Parque das Cascatas, Spazio Verde e Terras Altas possuem funcionários que promovem a limpeza das vias públicas dentro de seus territórios, além do serviço de segurança com funcionários que trabalham em portarias. Outra característica comum entre eles é a construção de muros no limite de seus territórios, todos passando por áreas de preservação permanente.

Seria interessante que essa tendência de condomínios horizontais se consolidasse na microbacia, desde que seguindo algumas normas e diretrizes básicas de uso e ocupação do solo, de maneira sustentável, uma vez que a urbanização avança sobre um ambiente extremamente sensível como o ambiente natural de uma microbacia hidrográfica.

 

 

 

                    Caracterização do Meio Físico

 

Tarefa: Promover visitas a campo para caracterizar, georreferenciar e fotografar os seguintes aspectos da microbacia: O uso e ocupação do solo; Uso da terra e a cobertura vegetal; As principais infraestruturas existentes na microbacia, considerando o sistema de drenagem de águas pluviais; o sistema viário e ferroviário; Os pontos de captação d’água superficial e subterrânea, lançamento de efluentes, sistema de coleta, tratamento e disposição final de resíduos sólidos e efluentes; Os principais vetores de pressão sobre a microbacia, tais como: expansão urbana, caça de animais, desmatamento, uso de agrotóxicos, represamento, pesca, contaminação por espécies invasoras, fogo, turismo, dentre outros, bem como elaborar propostas para minimizar os impactos negativos e potencializar aqueles positivos.

 

A microbacia possui 12 proprietários de chácaras ou sítios sendo que apenas um não aderiu ao projeto não permitindo a caracterização de sua propriedade.

 

Sítio Capão Bonito de Baixo, parceiro do projeto Córrego da Cascata.

 

Caracterização da Rodovia Domingos Sartori. (SPA 251)

 

A rodovia Domingos Sartori possui 12 drenos e vertedouros de água pluvial que apresentam problemas relacionados à falta de manutenção sendo que alguns mostram baixa eficiência por retenção de lixo e terra. Ausência de redutores da velocidade da água ao desaguar na vegetação.

Apresenta taludes com pontos de desmoronamento responsáveis por quedas de poste e fiações, depósito de terra nos acostamentos, assoreamento dos córregos por arraste desta terra.

 Acostamentos com desnível e pequenas erosões laminares, destacando um grande acúmulo de terra na pista, junto ao Jardim Tropical, causado por enorme retirada de terra e arraste deste material com as chuvas para a rodovia e para o córrego.

 

 

Há problemas de acúmulo de lixo nos acostamentos mostrando a necessidade de efetivo trabalho de educação.

No decorrer do projeto a Concessionária Rodovias do Tietê promoveu manutenção nos taludes e construção de gabiões em diferentes pontos da Rodovia , favorecendo a drenagem de águas pluviais.

 

 

Caracterização da Estrada de Ferro Sorocabana / Concessionária América Latina Logística (ALL)

 

Duas erosões de grandes proporções localizadas no talude da Ferrovia são certamente, o fator de maior degradação dentro da microbacia pelo volume de terra deslocado.

Erosão do talude da ferrovia

 

 

Caracterização dos Setores da Microbacia. Interferências do Setor A no Córrego da Cascata

  •  Pastagens

100 ha de pastagens. 50 % destas sem cordões de contorno (curva de nível) e os outros 50% precisando de manutenção e reforma. Com a falta de manutenção estes dispositivos perdem sua eficiência. Em algumas áreas deste setor os cordões de contorno retêm a terra carreada de ruas dos bairros vizinhos, que não têm a manutenção adequada por parte da prefeitura.

 

 

  • Lixo e entulho

 Grande acúmulo de lixo e entulho por todo o setor A: dentro de APPs, em terrenos públicos e particulares e mesmo nas ruas. Muito Lixo!

  • Estação de elevação de esgotos, coleta e afastamento.

Vazamento de esgoto in natura

Na porção rural do Setor A existem duas destas unidades e não raro ocorrem entupimentos e derrame de esgoto no Córrego da Cascata. Os coletores estão em áreas despovoadas, os vazamentos demoram a ser identificados e notificados, aumentando o período de vazamento na bacia. Em 2011 foram registradas duas ocorrências de derrame só neste setor.

A maioria dos bairros deste setor possui coleta e afastamento de esgotos, já o Residencial Parque das Cascatas e as propriedades rurais contam com fossas sépticas e com registro de fossas negras.

  • Vegetação e APPs

Aproximadamente 40 % da área do Setor A é coberta por remanescentes florestais, principalmente nas encostas com maior declividade e ao redor de nascentes.

Áreas bem conservadas servem de exemplo para locais com deficiência ou ausência total de mata ciliar.  Ainda ocorre a comercialização de terrenos edificações ou construções em APP. 

  • Erosão

Presença de várias erosões não estabilizadas no Setor A.

  • Drenagem urbana

A drenagem urbana é certamente um grande problema neste setor, pois temos muitas ruas, ainda sem calçamento, e a ausência de manutenção, causa arraste de terra e assoreamento.

  • Aptidão

O Setor A possui atributos para o turismo pedagógico, histórico, religioso com destaque para a Igreja de Santo António, o Morro de Rubião Júnior, a Estação Ferroviária e os atributos naturais como os remanescentes de floresta estacional semidecidual cachoeiras e formações geográficas com grande potencial para trilhas educativas e contemplativas.

 

 Estação ferroviária Rubião Júnior

 

 

Caracterização dos Setores da Microbacia. Interferências do Setor B no Córrego da Cascata

  • Pastagens

O Setor B tem poucas áreas destinadas à pastagem, mas apresenta muitos terrenos abandonados com vegetação de pastagem.

  •  Lixo

Problemas com o acondicionamento e disposição de lixo doméstico na entrada para o bairro Jardim Tropical e nas margens da rodovia.

  • Coleta e afastamento de esgoto

A área urbana do setor possui coleta e afastamento de esgoto e não foi registrado problemas de vazamento.

  •  Vegetação e APP

Apresenta um hectare de campinas onde o subsolo é impermeável favorecendo o afloramento de água, mantendo o solo encharcado, mesmo que apresente boa declividade. Os remanescentes florestais neste setor são pequenos e em áreas de Preservação Permanente com pouca cobertura vegetal.

Neste setor encontramos remanescentes de vegetação típica de cerrado na sua parte alta.

  • Erosão

O setor possui pequenas erosões que devem ser recuperadas. Destaque para erosão formada pelas águas de uma nascente na divisa do Sítio São João ou Serra e o Residencial Terras Altas. Duas grandes erosões registradas junto à rodovia, uma próxima ao condomínio Terras Altas e a outra na entrada do Jardim Tropical causada por retirada de grande quantidade de terra.

  • Drenagem urbana

No Jardim Tropical existem sérios problemas com a coleta das águas pluviais que drenam para dentro e para fora da microbacia do Córrego da Cascata.

 

Desmoronamento de taludes com arraste de grande quantidade de terra

  • Aptidão

O Sítio São João ou Serra apresenta atributos geográficos relevantes para o turismo pedagógico como cachoeira, lagos, campina e um afloramento rochoso de relevante valor didático

 

 

Caracterização dos Setores da Microbacia. Interferências do Setor C no Córrego da Cascata

  • Pastagem

45 hectares de pastagens nativas em terrenos de acentuada declividade, sem cordões de contorno que contribuem para o assoreamento do Córrego da Cascata.

  • Lixo

Os bairros Jardim Centenário, Capão Bonito e Jardim Europa, têm sérios de problemas de disposição de resíduos (lixo e entulho) encontrados em vários locais, públicos e privados. Muito lixo junto à rodovia.

  • Coleta e afastamento de Esgoto

O Residencial Parque das Cascatas não possui coleta e afastamento de esgoto sendo comum o vazamento de fossas.

  • Vegetação e APPs

O segundo maior remanescente florestal está no setor C. Apresenta importante mata ciliar a beira dos córregos. Nas áreas mais altas registro de vegetação de cerrado e ainda área de várzea bem caracterizada na baixada. Entretanto, possui regiões onde as APPs não possuem mata ciliar, terrenos em APP comercializados, aterrados, edificados ou em edificação.

  • Erosão

Neste setor encontram-se duas grandes erosões junto à ferrovia. Área de pastagem nativa com erosão laminar e ainda erosão junto às nascentes 13 que estão estabilizadas, mas requerem atenção.

O assoreamento do córrego no setor é facilmente observado, na área de várzea junto a Rodovia Marechal Rondon, abaixo do Jardim Europa e também no represamento do Residencial Parque das Cascatas.  

  • Drenagem urbana

Nos bairros Capão Bonito, Jardim Centenário e Jardim Europa, as ruas de terra sem manutenção colaboram com o assoreamento do Córrego da Cascata.

Nos condomínios Spazio Verde e Parque das Cascatas o dimensionamento das galerias pluviais bem como seus dissipadores de velocidade de água junto à vegetação, precisam de maiores cuidados.

  •    Aptidão

Os remanescentes florestais que abrigam a fauna silvestre e cachoeiras são atrativos para trilhas ambientais educativas.

 

 

Belezas cênicas

 

Caracterização dos Setores da Microbacia. Interferências do Setor D no Córrego da Cascata

 

  • Pastagem

O Setor D é o mais urbanizado da microbacia. O bairro Recanto Azul possui uma pequena área verde com espécies vegetais importantes, porém com poucos indivíduos. Ao final de seu percurso o Córrego da Cascata atravessa uma pequena área de várzea, antes de seu encontro com o Córrego da Água Fria. Áreas de pastagens não foram encontradas, mas há terrenos com vegetação de gramíneas.

 

  • Lixo

Nos bairros Recanto Azul e Vila São Lucio existem problemas de lixo e entulho principalmente no entorno do rio, em terrenos públicos e privados. Nas vias públicas também há acúmulo de entulho e lixo.

Coleta e afastamento de Esgoto

O bairro Recanto Azul possui uma Estação Elevatória de Água Tratada. No ano de 2011 ocorreram dois vazamentos de esgoto identificados e notificados. Todos os bairros do setor possuem coleta e afastamento do esgoto.

As análises de água do Córrego da Cascata feito neste setor mostraram qualidade satisfatória, segundo o critério IQA (índice de qualidade de água) adotado pela CETESB. Já o córrego Água Fria onde o córrego Cascata deságua, mostrou pior qualidade.

  • Drenagem urbana

Nos bairros Recanto Azul e Vila São Lúcio, as galerias pluviais apresentam dimensionamento inadequado para a drenagem das águas pluviais ocasionando pequenas e múltiplas erosões.

A área de várzea utilizada para pastagem compromete a vegetação das margens do córrego e promove a formação de pequenas erosões. Após os plantios de recuperação das APPs este problema deverá diminuir ou ser controlado.

 

  •    Aptidão

Este setor é o de maior densidade populacional da bacia, totalmente urbanizado, possui um remanescente florestal que poderá ser transformado e aproveitado como uma área verde destinada ao lazer e cultura.

 

Vista do bairro Recanto Azul

 

 

Qualidade da Água nos Pontos de Coleta

 

Tarefa: Coletar água mensalmente em seis pontos da microbacia. Registrar os parâmetros de qualidade como turbidez, cheiro e materiais flutuantes em suspensão. Encaminhar a amostra coletada para análise no CEAQUIM: Centro de Apoio Químico ao Ensino à Pesquisa e de Prestação de Serviços, ligado ao Departamento de Química e Bioquímica do Instituto de Biociências da UNESP/Botucatu, parceiro oficial do projeto. Medir a vazão da água.

 

 

Desenho esquemático identificando os pontos de coletas no Córrego da Cascata e os resultados das análises da água de acordo com o IQA (Índice de Qualidade da Água utilizado pela CETESB). Análise: CEAQUIM.

 

Os resultados das amostras coletadas mostram que as águas do Córrego Cascata apresentam ótima e boa qualidade em sua primeira metade e boa qualidade à aceitável na segunda metade, mesmo sendo um rio Periurbano.

 

 

 

Caracterização do meio biótico - Flora

 

Tarefa: Percorrer os remanescentes florestais e as áreas de preservação permanente (APPs) para caracteriza-los segundo seu estado de conservação. Realizar coleta de dados para estudos fitossociológicos, bem como gerar uma lista de espécies encontrada nas áreas de estudo.

 

Remanescente florestal do Córrego da Cascata repleto de bromélias

 

Resultado: Foram registradas 184 espécies da flora brasileira distribuídas em 52 famílias encontradas nos remanescentes durante os levantamentos realizados em 2011.

            Três espécies da flora ameaçadas de extinção no estado de São Paulo foram encontradas na microbacia: caroba-da-mata, manacá-da-serra, e palmito-juçara.

O Morro de Rubião Jr e a Estância Rafael possuem os remanescentes com maior diversidade.

Em geral, as APPs apresentam boa diversidade de espécies. Importante ressaltar a fragilidade dessas áreas no que tange ao assoreamento dos rios, como resultado da pressão antrópica em nascentes e no uso inapropriado destas áreas. Percebemos que essa degradação é constante em todas as áreas visitadas.

Algumas espécies se destacaram como o Capixingui (Croton floribundus) que ocorre em matas secundárias da floresta semidecídua podendo surgir no interior de mata primária que sofreu interferência do homem durante a extração de madeira.

Registro da espécie Copaíba (Copaifera langsdorffii) no topo do morro de Rubião Jr.

Outra espécie que chamou a atenção devido à ocorrência em todos os remanescentes foi o Jacarandá-paulista.

A espécie Pinha-do-brejo (Magnolia ovata) se destacou nas APPs. Essa espécie é prioritária em projetos de regeneração em mata ciliar por se adaptar em áreas de várzeas e matas ciliares, além de atrair a avifauna.

As espécies conhecidas como Jequitibá-branco (Cariniana estrellensis) e Araribá (Centrolobium tomentosum) foram georreferenciadas para futura coleta de sementes.  A corticeira-da-serra (Erytrina falcata) sobressaiu das demais espécies por apresentar um DAP de 128 centímetros.

 

Herbário

 Tarefa: Criar um catálogo de espécies da flora encontrada nos fragmentos do Córrego da Cascata e formar um banco de dados de identificação de espécies através das técnicas de identificação botânica.

 Resultados: 63 espécies catalogadas.

 

 

Ipê e Araucária

 

 

 

Caracterização do meio biótico - Fauna

 

Tarefa: Caracterizar a mastofauna e a avifauna em 4 remanescentes florestais da microbacia do Córrego da Cascata.

 

Inventário da Mastofauna

A identificação de 16 espécies de mamíferos silvestres foi realizada através de registros de pegadas em parcelas de areia, medidas morfométricas e moldes da pegada em gesso.

Também foram utilizados recursos fotográficos diretos, registros com armadilhas fotográficas (Câmera Trap), entrevistas e registro de atropelamentos.

 

Registros de pegada de uma Capivara em parcela de areia: 1- Medidas morfométricas. 2-Preparação do contramolde de gesso. 3. Molde de gesso da pegada de uma capivara

 

Os registros da mastofauna são bastante significativos, principalmente se analisarmos os três principais fatores que comprometem a diversidade de espécies nos diferentes remanescentes: a proximidade com a cidade, o tamanho dos setores amostrais e a influência antrópica.

Os resultados demonstram que as espécies mais abundantes, são as generalistas tais como o tatu galinha e o gambá.

A baixa frequência de outros grupos, sobretudo os grandes carnívoros e herbívoros, pode indicar que estes animais evitam andar por pequenos fragmentos, procurando lugares onde não estejam tão visíveis.

Foi solicitada ao Canil Municipal de Botucatu uma listagem de animais silvestres recolhidos na microbacia, vivos ou mortos com seus respectivos destinos.

De acordo com os dados fornecidos, no período de janeiro de 2009 até janeiro de 2012, foram resgatados 28 animais em áreas de moradia e estradas no perímetro da microbacia do Córrego da Cascata, dentre os quais, um lobo-guará e três tamanduás-bandeira, ambas as espécies classificadas como vulneráveis.

Esses dados corroboram a premência pelas ações de proteção de áreas naturais, prevenção de atropelamentos, e orientações sobre as formas de coexistência com as espécies da fauna silvestre.

 

Paca. Armadilha Fotográfica

 

Inventário da Avifauna

 

Identificação das aves através de visualização direta com o auxilio ou não de binóculos e através da vocalização, utilizando gravação ou não. Quando possível, foi realizado o registro fotográfico das espécies.      

Em todas as áreas estudadas foi possível registrar 136 espécies de aves, distribuídas em 43 famílias.

Em termos qualitativos a mata do Morro de Santo Antônio é a que apresenta maior diversidade de aves, o que permite o registro de espécies mais especializadas que não ocorrem nas outras áreas onde o efeito de borda é mais evidente, como por exemplo, duas espécies que só são encontradas no interior de mata: o trinca ferro e o soldadinho, espécie ameaçada de extinção.

No Parque das Cascatas, a quantidade de aves avistadas foi maior entre todos os fragmentos estudados. O setor amostral do Residencial Terras Altas mesmo sendo um dos menores fragmentos, apresenta diversidade de espécies bem expressivas e isto pode ser explicado pelo fato de ser um empreendimento novo com poucas casas.  O setor amostral do Recanto Azul, mesmo após ter sofrido com uma grande queimada, teve um número expressivo de espécies registradas com destaque para uma ave bem pequena a Figuinha de rabo castanho, que normalmente permanece na copa das árvores, o que torna difícil a sua visualização.

 

Chocão-barriga branca (Taraba major)

 

 

 

Recuperação ambiental

 

Tarefa: Caracterizar as Áreas de Preservação Permanente do Córrego da Cascata. Promover o plantio de mudas florestais em uma área pública e 3 áreas particulares, cujos proprietários aderiram ao projeto na sua fase de elaboração.

 

Caracterização das áreas de preservação permanente da microbacia

 A microbacia do Córrego da Cascata possui 66,59 hectares de APPs, mantendo 55,20 hectares com vegetação nativa e áreas de várzea, que representam aproximadamente 83% de APPs preservadas.

 

Uso das Áreas de Preservação Permanente do Córrego da Cascata.

Área (hectare)

APP com construção civil consolidada

1,28

APP recuperada pelo Projeto Córrego da Cascata

3,20

APP não vegetada, com potencial para recuperação.

6,92

APP com vegetação ou em área alagada

55,20

Total de área de preservação permanente

66,59

 

 

 

 

 

 

Identificação das áreas de plantio

    As áreas de plantio foram escolhidas com a finalidade de promover a ligação entre os remanescentes florestais já existentes e melhorar a qualidade dos mesmos.

 

APPs do Setor A

 

 

          

APPs do Setores B e C

 

APPs do Setor D

 

 

 

Áreas de Preservação Permanente Restauradas

 

Relação de área e quantidade de mudas plantadas pelos setores da microbacia

Mudas Plantadas nos Setores da Microbacia

Área (ha)

Quantidade de mudas

1.      Setor A– Sítio Capão Bonito de Baixo

2,12

5.000

2.      Setor B–Chácara São João ou Serra

0,46

1.700

3.      Setor C- Chácara Santo Antônio

0,22

800

4.      Setor C – Piscinão do PAC – Não houve plantio

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5.      Setor D - Prefeitura Municipal de Botucatu

1,32

4.100

Total

4,12

11.910

 

 

Abrangência das áreas de plantio.

Áreas plantadas pelo Projeto Córrego da Cascata em APP

3,20 ha

Áreas plantadas fora da APP

0,92 ha

Total de áreas plantadas

4,12ha

Extensão das margens de rios protegidas

1 km

Total de mudas plantadas

11.910

 

 

 

Área de plantio no bairro Recanto Azul

 

 

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