Coruja buraqueira residente nas APPs do Ribeirão Tanquinho

 

Ribeirão Tanquinho

 

Relatório de Avaliação com Bases Ecológicas de Reflorestamento em Mata Ciliar do Ribeirão Tanquinho

Uma avaliação ecológica da  mata ciliar do Ribeirão Tanquinho foi realizado no início de 2011 pela aluna Débora Najara de Souza Ferreira, do curso de Ecologia do Instituto de Biociências da UNESP de Rio Claro, através de estágio supervisionado pela SOS Cuesta de Botucatu.

As áreas estudadas foram as APPs do Ribeirão Tanquinho, dez anos após o trabalho de revegetação iniciado em 2001, com a realização do Programa de Recuperação Hídrico Florestal do Ribeirão Tanquinho, idealizado e executado pela ONG.

A avaliação do reflorestamento foi feita através da revisão de materiais produzidos pela ONG S.O.S Cuesta de Botucatu ao longo desses anos, durante a implantação do Programa de Recuperação Hídrico Florestal do Ribeirão Tanquinho, dando-se maior atenção para a relação de espécies plantadas e um levantamento faunístico realizado em 2008, no qual foram coletados dados sobre a vida animal local como peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Com relação à avifauna, esta foi comparada com um outro levantamento realizado na mata ciliar do Rio Cipó, no estado de Minas Gerais (WILLIS; ONIKI, 1991). Comparou-se o número de espécies e sua composição, observando quais espécies eram comuns às duas áreas.

Para a verificação de que o reflorestamento está seguindo seu curso natural ou seja, se a floresta plantada está apresentando sucessão da vegetação, foram feitas visitas às APPs para um levantamento da regeneração natural de espécies florestais, oriundas da dispersão das sementes das árvores, além da observação da presença de fauna.

Foram encontradas 52 espécies florestais, sendo  que 18 foram classificadas como pioneiras, 10 como secundárias, 2 como clímax, 14 como pioneira/secundárias, 2 como secundária/clímax e 6 ficaram sem classificação.

As espécies pioneiras são de suma importância na regeneração florestal, pois a partir do seu desenvolvimento rápido, proporcionam o habitat ideal para as espécies tardias, que necessitam de sombra para a germinação de suas sementes e desenvolvimento das plântulas. Além disso, funcionam como atrativo para a fauna, como fonte de alimento e habitat, e esta por sua vez, exerce grande contribuição para o desenvolvimento e aumento da vegetação através dos seus serviços ecossistêmicos como a polinização e dispersão de sementes.

Com relação à comparação dos dados da avifauna, das 48 espécies encontradas no Ribeirão Tanquinho, 21 espécies, (aproximadamente 44%), estão também presentes entre as 64 encontradas no Rio Cipó no estado de Minas Gerais. Apesar do número encontrado no primeiro ser menor, é preciso levar em conta que este encontra-se na área urbana de Botucatu, enquanto que o segundo localiza-se em uma zona semiaberta de cerrado.

Finalizando, nas visitas a campo foi possível observar que ainda não há um sub-bosque estruturado, entretanto, há presença de indivíduos vegetais regenerantes  indicando a ocorrência de processos ecológicos como a dispersão e “chuva” de sementes e a conseguinte sucessão ecológica. Outro ponto a salientar é o fato de haver espécies frutificando o que indica existência de agentes polinizadores, isto é, a presença da fauna interagindo com a vegetação. Além disso, notou-se a presença de animais no local nos momentos de visita, como aves e peixes ao longo do Ribeirão Tanquinho.

Apesar do reflorestamento estar se desenvolvendo, ainda pode ser encontrada a presença de gramíneas invasoras que fazem a colonização de locais com maior incidência de luz. Tal colonização pode estar comprometendo o processo de regeneração natural das espécies florestais, entretanto não há subsídios científicos até o presente momento que possam garantir a afirmação.
 

Conclusão

Excluindo-se o fato da invasão das gramíneas, fato este que deve ser resolvido pelo órgão público responsável, através de um trabalho de capina, a comunidade florestal parece estar se estruturando de forma satisfatória, com ocorrência de processos ecológicos importantes, com indicativos de sucessão ecológica e estabelecimento da fauna silvestre.

Um trabalho de enriquecimento da vegetação, com a semeadura ou plantio de espécies vegetais de estágios mais avançados de sucessão, uma vez que já ocorre fechamento do dossel, e estas espécies desenvolver-se-iam à sombra das iniciais, auxiliaria no processo de regeneração natural, acelerando-o de forma a não deixar apenas ao cargo da fauna.

Por fim, pode-se dizer que a área tem um alto potencial para ser um refugio da fauna e flora dentro do ambiente urbanizado, além da grande influência na preservação do Ribeirão Tanquinho, não apenas se tratando do recurso hídrico, mas também com relação ao habitat a ele relacionado.

 

 

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