Fazenda Edgárdia - Refúgio de Vida Silvestre - APA Botucatu

PROGRAMA DE PROTEÇÃO   E PESQUISA DA VIDA SILVESTRE

O Programa de Proteção e Pesquisa da Vida Silvestre visa a preservação da fauna através da educação ambiental e do levantamento e monitoramento das espécies animais.

A maior parte do programa foi desenvolvido na mata da Fazenda Edgárdia, pertencente à UNESP de Botucatu, localizada na bacia do rio Capivara, município de Botucatu/SP, circunscrita pelas coordenadas geográficas 22º 47’ 30“ a 22º 50’ de latitude S, e 48º 22’ 30” de longitude W. Fica distante da sede do município a aproximadamente 8 Km.

        Com uma área de aproximadamente 1.200 ha, a fazenda apresenta duas das três províncias geomorfológicas da bacia do rio Capivara: o front da Cuesta e a depressão periférica, que abrange a várzea do rio Capivara, rebaixada 250 metros em relação às Cuestas Basálticas.

         O clima na região de Botucatu possui características marcantes, refletindo em duas estações bem distintas: chuvosa/quente entre os meses de setembro e março, e seca/fria, nos meses de abril a agosto.

         Segundo Araújo Júnior (2001), a região apresenta uma temperatura média anual de 20,2 °C, sendo que as temperaturas médias dos meses mais quentes são de 23,2 °C e de 16,9 °C nos meses mais frios.

         Em relação à vegetação, segundo estudos de Jorge et al. (2001), a fazenda Edgárdia apresenta 613,99 ha de floresta estacional semidecidual, 132,79 ha de transição floresta/cerrado e 43,94 ha de vegetação natural de várzea.

         O restante da área é ocupada por práticas agrícolas e pecuárias voltadas prioritariamente à pesquisa universitária.

         Vale ainda lembrar que a Fazenda Edgárdia está localizada dentro dos limites da APA Botucatu e é considerada como área de Refúgio da Vida Silvestre.

Na fazenda foram desenvolvidas as seguintes atividades:

*Educação Ambiental Como Estratégia de Conservação da Vida Silvestre;

* Monitoramento de Puma concolor (onça-parda) e levantamento das Populações Silvestres.

 

 Educação Ambiental: estratégia da Vida Silvestre 

 O objetivo deste projeto de educação ambiental é conscientizar os moradores do entorno e funcionários da Fazenda Experimental Edgárdia pertencente à UNESP, Campus de Botucatu, sobre a importância da conservação da vida silvestre local.

A Fazenda Edgárdia apresenta uma área de aproximadamente 1200 hectares, sendo que 613,99 hectares são de Floresta Estacional Semidecidual, 132,79 hectares de transição floresta-cerrado e outros 43,94 hectares são de vegetação natural de várzea. O restante da área é utilizada para práticas agrícolas e pecuárias, voltadas prioritariamente à pesquisa universitária.

Os primeiros levantamentos florísticos realizados na área registraram a presença de 147 espécies arbóreas e sub-arbóreas e 40 espécies de lianas. O primeiro estudo da avifauna registrou a presença de 188 espécies de aves e, atualmente, esta lista já alcançou 230 espécies. Estudos preliminares de mamíferos já registraram 17 espécies, entre elas a onça-parda (Puma concolor), espécie ameaçada de extinção.

Para conviver de forma harmoniosa com tamanha diversidade, torna-se necessária a adoção de algumas práticas e ações conservacionistas, não só dos dirigentes da fazenda, mas principalmente das pessoas que convivem diariamente nesta área.

Assim, o presente trabalho tem como objetivo conscientizar moradores do entorno e funcionários da Fazenda Experimental Edgárdia sobre a importância da conservação da vida silvestre para a região.

Este trabalho foi realizado por meio de palestras, reuniões e circulação de material impresso.

Resultados

1. Diagnóstico e reconhecimento da comunidade do entorno da Edgárdia.

2. Reunião com os responsáveis pela área e pelos funcionários ligados à Edgárdia, para apresentação da proposta.

3. Confecção e distribuição de material impresso sobre a área.

4. Confecção e instalação de placas educativas.

5. realização de palestras sobre a importância da Fazenda Edgárdia para a conservação da Vida Silvestre no contexto regional.

6. Realização de palestras sobre a riqueza da flora e fauna da Fazenda Edgárdia e sobre os principais problemas causados pela fauna silvestre às populações humanas locais..

7. Realização dos principais problemas causados pela fauna silvestre às populações humanas locais.

8. Realização de palestras sobre legislação ambiental.

9. Reunião com funcionários e moradores da Fazenda Edgárdia para discussão e apresentação de propostas para garantir a proteção da vida silvestre na área e a segurança dos mesmos.

10. Elaboração de relatório contendo as sugestões dos funcionários e moradores para garantia da conservação da vida silvestre na área.

11. Apresentação de relatório aos responsáveis pela área e à comunidade universitária.

12.O projeto ainda subsidiou o desenvolvimento da monografia: Educação Ambiental como Estratégia para a conservação da Vida Silvestre na Região de Botucatu – SP. – Henrique Nunes Ferreira Neto, Helton Carlos Delicio, Renato Eugênio da Silva Diniz, 2005, 36p.

Este programa ainda está em desenvolvimento por alunos do Instituto de Biociências da UNESP de Botucatu.
 

Placa confeccionada pela ONG S.O.S Cuesta instalada na Fazenda Edgárdia.

 

Realização: ONG SOS Cuesta de Botucatu e alunos do Instituto de Biociências UNESP
Apoio: Departamento de Recursos Naturais da Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP, Botucatu e Instituto de Biociência da UNESP, Botucatu.
Patrocínio: PROEX

 

 

 

Levantamento de populações

 

 

A conservação da fauna silvestre torna-se urgente uma vez que a ocupação antrópica sobre ambientes naturais ocorre com velocidade acelerada, resultando em fragmentação e perda da qualidade do hábitat, fatores que ameaçam a sobrevivência de animais silvestres. Como se não bastasse a destruição da paisagem natural, em muitos casos uma ação de manejo de fauna é impedida por não se conhecer nem a ecologia, nem o status de conservação das espécies.

A presença de Onças Pardas (Puma concolor) na Fazenda Edgárdia, pertencente à UNESP, campus de Botucatu, foi confirmada em 1999 pela investigação de casos de ataques a animais domésticos e visualização direta do animal.

O problema com as predações se agravou em 2003 com a perda de muitas ovelhas da criação experimental da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP – Botucatu.

Para impedir que outros ataques ocorressem, medidas mitigatórias foram tomadas pela FMVZ para proteger seus rebanhos e a ONG SOS Cuesta iniciou o monitoramento da fauna silvestre, utilizando  armadilhas fotográficas para identificação e monitoramento da onça parda a fim de  identificar se existe um ou mais indivíduos e também o monitoramento de indivíduos de diferentes espécies, esperando obter dados sobre a distribuição desses animais e desta forma avaliar o status de conservação dos mamíferos de grande e médio porte, visando subsidiar  estratégias  de  manejo  para  a  Fazenda e a conservação da fauna no seu ambiente.

Alguns trabalhos já foram iniciados na fazenda, através de palestras e entrevistas com os moradores e freqüentadores da fazenda,  a colocação de placas educativas e o monitoramento dos rastros do animal .  

 

Fazenda Edgárdia - Monitoramento de rastros de felino

 

 

 

Placa confeccionada pela ONG S.O.S Cuesta, instalada na Fazenda Edgárdia.

 

Para complementar esses trabalhos, em 2004 foram utilizadas armadilha fotográfica para identificação e monitoramento de indivíduos de diferentes espécies, esperando obter dados sobre a distribuição desses animais.

 

Fazenda Edgárdia - Monitoramento de espécies silvestres através da Câmera Trap

 

Com os dados obtidos através da observação dos rastros de onça parda, selecionamos os locais onde foram instaladas as "armadilhas fotográficas" (câmera trap), sendo que esses pontos também foram georreferenciados para a análise da distribuição do(s) indivíduo (s). Através da análise das imagens foram identificados várias espécies.

 

 

Fazenda Edgádia - Veado Catingueiro fotografado com auxílio da Câmara Trap

 

 

Fazenda Edgádia - Onça Parda fotografada com auxílio da Câmara Trap

 

 

 

Fazenda Edgádia - Grupo de Quatis fotografados com auxílio da Câmara Trap

 

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Botucatu, o Departamento de Recursos Naturais (FCA/Unesp/Botucatu), a FMVZ (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia/ Unesp/Botucatu) e o IB (Instituto de Biociências/Unesp/Botucatu) são parceiros do Projeto de Monitoramento e Levantamento de População na Fazenda Edgárdia e têm  nos dado total apoio nas ações desenvolvidas para o conhecimento e conservação da fauna local.

Espera-se também, ao final deste monitoramento, transformar a área da Fazenda Edgárdia em um corredor de vida silvestre, através de parcerias com outras entidades para a reintrodução de animais silvestres capturados pela Polícia Ambiental.

Resultados

A ONG S.O.S. Cuesta, com o objetivo de garantir a manutenção do animal em seu ambiente e ajudar a resolver o problema de predação, articulou a realização de reuniões interinstitucionais com representantes da UNESP, Campus de Botucatu, Centro Nacional de Proteção dos Predadores Naturais (CENAP – IBAMA), IBAMA Bauru e o GEAS, Grupo de Estudos de Animais Silvestres dirigido por alunos da UNESP.

Foram realizadas 3 reuniões que geraram diversas ações que eliminaram o conflito, ou seja, não ocorreram mais predações dos ovinos e a onça-parda foi mantida em seu hábitat.

  • Eliminação do conflito de predação de ovinos por onça-parda (Puma concolor) na Fazenda Edgárdia.

  • Desenvolvimento de trabalhos de Educação Ambiental, Inventário e Monitoramento de Mamíferos de Médio e Grande Porte na Fazenda Edgárdia.

  • Apresentação de trabalho no VII Congresso Internacional Sobre Manejo de Fauna Silvestre na Amazônia e América Latina, Ilhéus, BA em 2006 - Griese, J., Alves, T. R., Fonseca, R. C. B. E Siqueira, E. R. Predação e prevenção de ataques ao rebanho ovino por onça-parda (Puma concolor) na Fazenda Experimental Edgárdia, UNESP, Botucatu.
     

Monitoramento dos atropelamentos da fauna silvestre na rodovia Castelinho

 

Com a finalidade de caracterizar e mitigar os atropelamentos da fauna silvestre na região da APA Botucatu, a ONG S.O.S Cuesta, juntamente com o GEAM - Grupo de Estudos Ambientais, iniciou um trabalho de mapeamento e caracterização dos atropelamentos na rodovia Castelinho, em Botucatu-SP.

A partir de dados fornecidos pelo DER - Departamento de Estradas e Rodagens, o GEAM, formado por alunos de pós-graduação da Faculdade de Ciências Agronômicas - UNESP, consegue monitorar e relacionar os atropelamentos com os diferentes usos do solo na região da Castelinho.

Compreendendo a relação dos animais atropelados com o entorno da rodovia, poder-se-á buscar soluções efetivas para proteger a fauna local.

Este trabalho é feito utilizando o software SPRING, que é um Sistema de Informação Geográfica (SIG) fornecido gratuitamente pelo INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

 

Cartas topográficas são utilizadas

como referência

O trabalho de geoprocessamento  é feito

utilizando o software SPRING

 

Como fontes de referência são utilizadas fotografias aéreas do ano de 2000, gentilmente fornecidas pelo Departamento de Engenharia Rural - FCA - UNESP, além de imagens do satélite CIBERS do ano 2004 e cartas topográficas do IBGE. Todo o trabalho de geoprocessamento está sendo executado no Departamento de Solos, também da FCA - UNESP.

No último ano foram dezenas de animais atropelados, dentre eles tamanduás, onças-pardas e diversas espécies de aves. Espera-se que o trabalho-piloto na Castelinho seja concluído até o final deste semestre.

Saiba mais sobre a onça parda da fazenda Edgárdia

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